Estudo sobre abusos confirma fracasso total dos franciscanos alemães

Foto: Simon Hurry/Unsplash

Mais Lidos

  • Professor e coordenador do curso de Relações Internacionais da UFRR, Glauber Cardoso Carvalho analisa a disputa por minerais críticos, a presença dos EUA na Venezuela e a atuação no Brasil em conflitos geopolíticos

    Minerais críticos são ‘uma nova fronteira de tensão’ para geopolítica. Entrevista com Glauber Carvalho

    LER MAIS
  • Governo de MG reduz em 96% verbas para prevenção a impactos das chuvas

    LER MAIS
  • Riscos geológicos em Juiz de Fora. Artigo de Heraldo Campos

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

27 Fevereiro 2026

Vítimas ignoradas, agressores protegidos, investigações atrasadas – os franciscanos alemães admitiram um fracasso completo no tratamento de abusos sexuais. Em uma coletiva de imprensa em Munique na quarta-feira, ao apresentar um estudo de 450 páginas sobre o assunto, o ministro provincial Markus Fuhrmann pediu perdão a todas as vítimas "pelos atos horríveis". Tais crimes "nunca mais devem ser acobertados".

A informação é publicada por Katholisch, 25-02-2026.

Quatro por cento de suspeitos

Em um estudo científico, psicólogos sociais do Instituto IPP de Munique identificaram mais de 100 vítimas de abuso sexual desde 1945. Noventa e oito membros de ordens religiosas foram identificados nominalmente como suspeitos. Isso corresponde a uma taxa de quatro por cento, considerando um total de 2.500 franciscanos durante o período analisado. O número de casos não denunciados é "muitas vezes maior", enfatizou o autor do estudo, Peter Caspari.

Pesquisadores encontraram evidências de anos de abuso sexual de meninos em Vossenack e Dorsten (Renânia do Norte-Vestfália), Ottbergen (Baixa Saxônia) e Vlodrop, na Holanda. Metade de todos os incidentes documentados são considerados casos graves.

"Não há nenhum caso conhecido em que um monge tenha denunciado abuso sexual", explicou Caspari. Até 2011, os responsáveis ​​pela ordem não demonstraram nenhum interesse pelo destino das vítimas. Até 2010, nenhum processo criminal ou sanção canônica contra um perpetrador foi iniciado proativamente. No geral, o processo de lidar com o passado começou "tarde demais".

"Interrogatórios intensivos de meninos pré-púberes"

O estudo descreve "interrogatórios intensivos de meninos pré-púberes sobre sua sexualidade" como uma forma específica e patológica de abuso espiritual. No entanto, jovens mulheres que desejavam se envolver com a igreja também eram manipuladas e induzidas a relacionamentos sexuais. A vergonha resultante, por vezes, afetava as pessoas envolvidas em seus relacionamentos amorosos pelo resto de suas vidas.

Os pesquisadores do IPP recomendam que a liderança da ordem estabeleça uma cultura de memória tanto a nível provincial quanto nos locais afetados. Os nomes completos dos acusados ​​devem ser comunicados internamente, pelo menos, caso as alegações sejam bem fundamentadas e graves. Resistência e negações são esperadas. Segundo seus próprios dados, a atual província franciscana alemã ainda conta com 180 membros.

O que dizem os afetados

Falando em nome de outras vítimas, o ex-aluno do internato de Vossenack, Achim Görke, reconheceu o pedido de perdão dos franciscanos. Ele afirmou que continua sendo imperdoável que muitos membros da ordem em Vossenack soubessem dos abusos, mas tenham permanecido em silêncio, mesmo nos níveis mais altos.

Peter Krosch, também ex-aluno de Vossenack, acrescentou que ainda estava perplexo com o fato de todos os membros da ordem religiosa terem se mantido em silêncio durante seus anos de estudo. Essa inércia prolongada privou muitas vítimas da oportunidade de processar melhor o que haviam vivenciado. Assim, após a morte de "seus" agressores, elas não puderam mais confrontá-los sobre seus crimes.

O que um agressor "lamenta"

Durante o curso do estudo, vários suspeitos morreram, segundo os pesquisadores. Como resultado, apenas um deles pôde ser entrevistado. Esse indivíduo "demonstrou remorso", disse Caspari. Ele falou de "conflitos internos", mas não compreendeu que o caso envolvia violência sexual. "Ele lamentou não ter conseguido manter seu voto de celibato."

Notas

O relatório está disponível aqui.

Leia mais