"Terceira Guerra Mundial? Semelhanças com a década de 1930". Entrevista com Al Carns, vice-ministro da Defesa britânico

Foto: Duncan Kidd/Unsplash

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25 Fevereiro 2026

Al Carns, estrela em ascensão do Partido Trabalhista e veterano de guerra, se pronuncia: "Nunca imaginei que veria soldados norte-coreanos lutando às portas da Europa." Fontes da inteligência ocidental afirmam que, pela primeira vez, a Rússia está perdendo mais tropas na linha de frente do que recrutando.

“Terceira Guerra Mundial? Certamente há muitas semelhanças com a década de 1930…” Quem afirma isso é o vice-ministro da Defesa britânico responsável pelas Forças Armadas, o deputado trabalhista e veterano de guerra Al Carns. A estrela em ascensão do Partido Trabalhista, de 45 anos – a ponto de alguns o considerarem o próximo primeiro-ministro – falou ao jornal Repubblica e a outros veículos da imprensa britânica no quarto aniversário da invasão da Ucrânia pela Rússia. Segundo fontes da inteligência ocidental, pela primeira vez nos últimos três meses, a Rússia perdeu mais soldados na linha de frente do que recrutou. Isso não acontecia desde 2022. De acordo com as mesmas fontes, esse evento, se repetido, poderá marcar uma virada em um futuro próximo e forçar Putin a uma mobilização em massa, “algo que o presidente russo está tentando desesperadamente evitar”.

A entrevista é de Antonello Guerrera, publicada por La Repubblica, 24-02-2026.

Eis a entrevista.

Vice-Ministro Carns, você leu as palavras do presidente ucraniano Zelensky de que "a Rússia iniciou a Terceira Guerra Mundial"? Você concorda?

Há certamente muitas semelhanças com a década de 1930, especialmente com 1936, 1937 e 1938... Nunca imaginei que veria soldados norte-coreanos na fronteira com a Europa. E nunca imaginei que este conflito duraria mais de quatro anos. É por isso também que a Ucrânia é uma frente de guerra para a Europa e para nós, britânicos, mesmo estando numa ilha. Kiev está a fazer um trabalho extraordinário por nós.

Mas o que deve ser feito para que a Ucrânia vença? Ou pelo menos alcance a paz?

Antes de mais nada, devem ser os ucranianos que decidam o que a vitória significa para eles. Dito isso, a Rússia está sofrendo baixas cada vez maiores na frente de batalha, com pelo menos 1,25 milhão de mortos e feridos, um número superior às baixas americanas na Segunda Guerra Mundial. A economia de Moscou está cada vez mais ameaçada pelas sanções ocidentais, e o exército de Kiev está cada vez mais avançado tecnologicamente. A Rússia agora precisa recrutar cada vez mais soldados no campo e não pode mais fazê-lo nos centros urbanos, onde os jovens se recusam a ir lutar. Apesar da tecnologia, o elemento humano será crucial para vencer esta guerra.

Então Putin poderia ceder?

É difícil para a Rússia fazer a paz neste momento, porque, após as estratégias de guerra e a economia de guerra decididas pelo presidente, agora é difícil para Putin sair dessa situação política e economicamente.

Então, o que a Europa pode fazer para tentar convencer Putin a sentar-se à mesa de negociações?

As indústrias de defesa europeias precisam começar a produzir em larga escala agora; é a única maneira de estarmos seguros. A Rússia quer nos dividir como Napoleão fez com o resto da Europa, de inúmeras maneiras. A guerra cibernética de Moscou está custando à economia britânica 15 bilhões de euros. E precisamos nos preparar para todas as ameaças. Por exemplo, quando Israel e os Estados Unidos atacaram o Irã meses atrás, Teerã respondeu disseminando trolls e desinformação na Escócia, poluindo as redes sociais com conteúdo que defende a independência de Londres. Este é o mundo em que vivemos hoje.

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