25 Fevereiro 2026
O Kremlin: "Objetivos não alcançados, o conflito continua." Segundo agências de inteligência, Londres e Paris estão prontas para fornecer armas nucleares.
A informação é de Rosalba Castelletti, publicada por La Repubblica, 25-02-2026.
O Palácio do Kremlin apresenta o balé "Cleópatra", enquanto a Praça Manezhnaya, nas proximidades, celebra os últimos vestígios do Ano Novo Chinês. O quarto aniversário do início da ofensiva na Ucrânia — que, para minimizar o problema, eles teimosamente continuam a chamar de "Operação Militar Especial" — passa despercebido. Na Rússia, 24 de fevereiro é um dia como qualquer outro. Tudo como sempre. A agenda de Vladimir Putin inclui uma visita à sede do FSB, a antiga KGB, e uma reunião com o Ministro das Relações Exteriores do Vietnã. Nenhuma comemoração. Afinal, como observam alguns analistas políticos independentes, "O que há para lembrar? Que começamos a guerra?"
Pressionado durante a coletiva de imprensa diária, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, foi forçado a fazer um balanço. Ele admitiu que "os objetivos ainda não foram alcançados" e, portanto, o conflito "continua". As tensões foram aumentadas pelo Serviço de Inteligência Estrangeira (SVR), que, em um comunicado transmitido por todos os meios de comunicação estatais, acusou Londres e Paris de quererem fornecer armas nucleares à Ucrânia, provocando uma reação rápida do ex-líder Dmitry Medvedev, que prometeu uma "resposta simétrica".
Putin foi o primeiro a reiterar a ameaça nuclear: em uma mensagem divulgada no domingo, véspera do Dia do Defensor da Pátria, ele assegurou que Moscou continuaria a "fortalecer seu exército e marinha" e que a "prioridade absoluta" permanecia sendo o "desenvolvimento da tríade nuclear" como "garantia da segurança da Rússia, da dissuasão estratégica e do equilíbrio de poder no mundo". O SVR, no entanto, revela que "a Grã-Bretanha e a França percebem que os acontecimentos na Ucrânia não deixam nenhuma chance de alcançar a tão desejada vitória sobre a Rússia", mas "não estão dispostas a aceitar a derrota" e, portanto, querem equipar Kiev com "Wunderwaffen", uma referência às armas milagrosas alardeadas pelos nazistas. "Kiev poderá reivindicar condições mais favoráveis para o fim das hostilidades se possuir uma bomba nuclear ou pelo menos uma bomba 'suja'. Berlim sabiamente se recusou a participar dessa perigosa aventura", afirma o SVR, sem, contudo, apresentar provas.
"Ninguém leva isso a sério", e "ninguém deveria", porque "nada na declaração do SVR faz sentido", comenta Pavel Povdig, o principal especialista russo em forças nucleares. Até mesmo o jornal estatal Komsomolskaya Pravda parece perceber isso ao escrever que "ainda ontem, tudo isso poderia ter sido descartado como uma farsa, o delírio de uma avó desvairada". As negativas unânimes de Paris, Londres e Kiev pouco importam. Isso basta para Medvedev ameaçar que "a Rússia terá que usar qualquer arma nuclear, mesmo as não estratégicas, contra alvos na Ucrânia que representem uma ameaça ao nosso país e, se necessário, também contra países fornecedores". O conselheiro presidencial de política externa, Yuri Ushakov, observa que a postura da Rússia em relação ao processo de negociação pode mudar. "Discutiremos isso com os americanos."
Putin, reunido com líderes do FSB, alertou que os adversários de Moscou fariam bem em entender como um ataque com capacidade nuclear contra Moscou se desenrolaria. Ele também acusou Kiev e seus aliados de quererem "destruir o processo de paz" e de recorrerem ao "terror individual e em massa", como demonstrado pelo atentado suicida na estação Savjolovsky de Moscou na noite anterior e pelos supostos preparativos para explodir gasodutos no Mar Negro. "Há uma necessidade absoluta de derrotar a Rússia. Eles estão buscando qualquer solução, qualquer solução. Eles irão a um extremo e depois se arrependerão."
Há suspeitas de que o coro de acusações russas esteja, na verdade, servindo para atrasar as negociações em curso. Após as rodadas em Abu Dhabi e Genebra, segundo os ucranianos, uma quarta rodada deveria ocorrer amanhã. Peskov, no entanto, não confirma essa informação. Mas, assim como Ushakov, ele especifica que a Rússia levará em consideração as revelações do SVR "nas negociações". Quanto à Operação Militar Especial, a Rússia, diz ele, "permanece aberta" a alcançar seus objetivos "por meios políticos e diplomáticos", mas seus "interesses" serão "garantidos em qualquer caso". Portanto, o conflito "continua".
Leia mais
- A Ucrânia entra em seu quinto ano de guerra, exausta e cética quanto a um acordo de paz
- "Putin está assistindo a um mundo dividido em dois; ele poderia jogar o seu próprio jogo". Entrevista com Vladimir Rouvinski
- Putin afirma estar pronto para a guerra com a Europa "agora mesmo", antes de receber o enviado de Trump
- A semana em que a Europa percebeu que está sozinha contra a Rússia
- "A OTAN está considerando um ataque híbrido preventivo contra a Rússia". Moscou: "São palavras irresponsáveis"
- "Putin não vai desistir. A Europa precisa acordar agora e gastar mais em defesa". Entrevista com Boris Bondarev, ex-assessor da Rússia na ONU
- Guerra Ucrânia-Rússia. FT: "Trump disse a Zelensky para ceder a Putin para não ser destruído"
- “Talvez um vislumbre de esperança tenha surgido; Ucrânia e Rússia precisam negociar um empate". Entrevista com Volodymyr Fesenko, presidente do think tank Penta, sediado em Kiev
- Cristãos devem combater a perversão do Evangelho por parte de Putin, diz intelectual ucraniano
- O Parlamento Ucraniano pretende proibir a Igreja Ortodoxa ligada à Rússia
- Inimigo interno? Igreja Ortodoxa Ucraniana afiliada a Moscou enfrenta ameaças
- Ucrânia-Rússia: as Igrejas, o poder e a guerra
- O pesadelo atômico retorna
- A proposta chinesa sobre o não primeiro uso de armas nucleares: um passo que deve ser levado a sério
- Da Ucrânia para a China. Porque hoje existe o risco de uma guerra nuclear
- Nuclear, 2 mil ogivas em alerta. E Soltenberg pede mais bombas para a Europa
- China. A nova era da defesa
- “Vamos nos concentrar em impedir a guerra nuclear, em vez de debater sobre a ‘guerra justa’”. Entrevista com Noam Chomsky