24 Janeiro 2026
Representantes de diversas conferências episcopais, incluindo a espanhola, participaram da reunião de Coordenação da Terra Santa 2026 em Jerusalém, de 17 a 22 de janeiro.
A reportagem é publicada por Religión Digital, 22-01-2026.
Os bispos de diversas conferências episcopais do mundo, reunidos de 17 a 22 de janeiro em Jerusalém para participar da Coordenação da Terra Santa 2026, incluindo o Arcebispo Emérito de Urgel, Joan Enric Vives, alertaram que "Gaza continua sendo uma catástrofe humanitária" e apelaram para que "os esforços de paz prevaleçam sobre a violência".
"Nos doze meses que se passaram desde nossa última visita, a Terra Prometida encolheu e foi posta à prova. Gaza continua sendo uma catástrofe humanitária. O povo da Cisjordânia que encontramos estava desmoralizado e aterrorizado. As vozes corajosas de Israel que se manifestam em defesa dos direitos humanos e civis estão cada vez mais ameaçadas; defender vozes marginalizadas exige uma solidariedade custosa. Tememos que elas também sejam silenciadas em breve", enfatizaram os prelados em uma mensagem publicada nesta quinta-feira.
Além disso, afirmam ter visitado comunidades beduínas que vivem na Cisjordânia ocupada e dizem ter ouvido "relatos de ataques de colonos israelenses e de sua contínua violência e intimidação, roubo de gado e demolição de propriedades".
Os bispos enfatizam que "os assentamentos na Cisjordânia, ilegais segundo o direito internacional, continuam a se expandir apropriando-se de terras alheias" e denunciam que a universalidade dos direitos humanos "está sendo implacavelmente substituída por um sistema em que a dignidade e a proteção dependem da condição civil de cada um".
Pressão sobre Israel
Nesse contexto, os bispos apelam para que "os esforços de paz prevaleçam sobre a violência e para que não haja mais atos de terrorismo ou guerra" e instam "os governos a pressionarem Israel para que respeite a ordem internacional baseada em regras e para que sejam retomadas negociações significativas com vista a uma solução de dois Estados para o benefício e a segurança de todos".
"Afirmamos o direito de Israel existir e de os israelenses viverem em paz e segurança; da mesma forma, exigimos que esses mesmos direitos sejam respeitados para todos aqueles que têm raízes nesta terra", insistem.
Os bispos também destacaram a "coragem" daquelas "vozes judaicas e palestinas que, apesar dos enormes desafios e de seus próprios traumas, continuam a defender a justiça, o diálogo e a reconciliação", como "pais que perderam um filho no conflito e ainda assim encontram uma maneira de perdoar". Essas histórias, enfatizaram, oferecem "um poderoso testemunho da possibilidade de paz e reconciliação".
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