13 Janeiro 2026
O anúncio representa uma tentativa de pressionar Teerã após a repressão aos protestos, que deixou quase 600 mortos em todo o país.
A informação é de Andreas Gil, publicada por El Diario, 13-01-2025.
O presidente Donald Trump anunciou nesta segunda-feira no Truth Social que os parceiros comerciais do Irã enfrentarão tarifas de 25% por parte dos Estados Unidos. O anúncio representa uma tentativa de pressionar Teerã após a repressão aos protestos, que deixou quase 600 mortos em todo o país.
“Com efeito imediato, qualquer país que mantenha relações comerciais com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas e cada uma das operações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América. Esta ordem é definitiva e conclusiva”, disse Trump.
Truth Social de Trump sobre as tarifas aos parceiros comerciais do Irã.
O presidente dos EUA ameaçou repetidamente Teerã com ação militar dos Estados Unidos caso a República Islâmica use força letal contra os manifestantes antigovernamentais. É uma linha que Trump acredita que o Irã está “começando a cruzar” e que, segundo ele, o leva a considerar “opções contundentes”.
De acordo com Trump, as novas tarifas “entrariam em vigor imediatamente”.
China, Brasil, Turquia e Rússia estão entre as economias que fazem negócios com Teerã.
Anteriormente, Trump havia afirmado que o Irã queria negociar com Washington após sua ameaça de atacar a República Islâmica devido à repressão das manifestações que, segundo ativistas, deixaram pelo menos 599 mortos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em declarações a diplomatas estrangeiros em Teerã, insistiu que “a situação está totalmente sob controle” e culpou Israel e os EUA pela violência.
“Por isso as manifestações se tornaram violentas e sangrentas, para dar uma desculpa ao presidente dos EUA para intervir”, disse Araghchi, em declarações reproduzidas pela Al Jazeera, rede do Catar que conseguiu informar ao vivo do interior do Irã, apesar do corte no acesso à internet.
Araghchi afirmou que o Irã estava “aberto à diplomacia”.
Enquanto isso, manifestantes pró-governo encheram as ruas nesta segunda-feira em apoio ao regime, uma demonstração de força após dias de protestos que desafiavam diretamente o governo do líder supremo, o aiatolá Ali Jamenei, de 86 anos.
🇺🇸🔥🇺🇸 NÃO É GAZA, LÍBANO OU IRÃ!
— Sou Palestina🇵🇸🇮🇷🇪🇭 (@soupalestina) January 11, 2026
Nos Estados Unidos, manifestantes incendiaram prédios ligados a apoiadores extremistas de Trump, em meio a uma onda de violência sem precedentes.
A narrativa está se invertendo e a violência política agora está profundamente enraizada nas ruas… pic.twitter.com/Y0elwcw4tl
O procurador-geral do Irã advertiu que qualquer pessoa que participe dos protestos será considerada “inimiga de Deus”, um crime punível com a pena de morte.
Trump e sua equipe de segurança nacional têm considerado uma série de possíveis respostas contra o Irã, incluindo ataques cibernéticos e ataques diretos por parte dos Estados Unidos ou de Israel, segundo duas pessoas familiarizadas com as discussões internas da Casa Branca consultadas pela Associated Press.
“O exército está analisando e estamos considerando algumas opções muito contundentes”, disse Trump a jornalistas no Air Force One na noite de domingo. Quando questionado sobre a resposta do Irã, respondeu: “Se eles fizerem isso, vamos golpeá-los com uma força que eles nunca sofreram antes”.
“Acredito que estão cansados de serem golpeados pelos Estados Unidos”, disse Trump: “O Irã quer negociar”.
O Irã, através do presidente do Parlamento do país, advertiu no domingo que o exército dos Estados Unidos e Israel seriam “alvos legítimos” caso Washington use a força para proteger os manifestantes.
Mais de 10.600 pessoas foram detidas durante as duas semanas de protestos, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, com sede nos Estados Unidos. Segundo essa agência, 510 dos mortos eram manifestantes e 89 eram membros das forças de segurança.
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