A morte de Alan Kurdi e o "nunca mais" traído

Alan Kurd foi encontrado na praia de praia de Bodrum, na Turquia, em 03 de setembro de 2015 | Foto: Nilüfer Demi

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04 Setembro 2025

Uma data: 02-09-2015. O corpo sem vida de um menino de três anos é encontrado na praia de Bodrum, Turquia. O nome do menino é Alan Kurdi. A fotografia que imortaliza seu minúsculo corpo em uma camiseta vermelha rapidamente se torna a imagem simbólica mais violenta, mas também mais imediata, da crise humanitária síria. Alan era de origem curda. Ele e sua família tinham embarcado em um pequeno bote que deveria navegar de Bodrum até a ilha grega de Kos.

A reportagem é de Francesca Menna, publicada por Avvenire, 03-09-2025.

A viagem deveria ser de apenas 30 minutos da costa turca, mas logo após a partida, o barco virou. Havia 20 pessoas a bordo, quase o triplo das oito previstas como limite de segurança. Outras onze pessoas morreram naquele naufrágio, incluindo o irmão de cinco anos de Alan Kurdi, Ghalib, e sua mãe, Rehanna.

A fotografia da criança com os bracinhos ao lado do corpo e o rosto na areia rapidamente viralizou. O mesmo aconteceu com a história da família Kurdi: sua tentativa de escapar da guerra civil na Síria e do ISIS, a recusa em aceitá-los do Canadá e a subsequente fuga por mar contam apenas uma das muitas histórias de migrantes curdos e sírios naqueles anos.

A tia de Alan, Tina Kurdi, agora reconhecida como porta-voz dos refugiados sírios, disse: "Há algo nessa imagem. Deus a iluminou para despertar o mundo." Por um tempo, a ideia de que a atenção midiática provocaria uma mudança nas políticas de acolhimento da União Europeia e dos outros países ocidentais foi uma ilusão cultivada por muitos. Mas, dez anos depois, o número de mortes e desaparecimentos no mar e as rejeições, muitas vezes violentas, nas fronteiras europeias contam uma narrativa diferente. Segundo dados da UNICEF, desde 2015 aproximadamente 3.500 meninas e meninos morreram tentando atravessar o Mediterrâneo central. Esta continua sendo, segundo estimativas das Nações Unidas, a rota migratória mais mortal do mundo, com 20.803 pessoas mortas ou desaparecidas ao longo do caminho. Se somarmos os mortos e desaparecidos em outras rotas migratórias, como aquela do Mediterrâneo oriental e ocidental, o número estimado pela Organização mundial das Migrações é 29.315. Destes, 1.374 eram menores.

As ONGs que realizam buscas e salvamentos no mar denunciam que a situação piorou. Os obstáculos às missões humanitárias foram agravados por acordos com países terceiros para realocar ou deter os migrantes. Como o memorando com a Líbia, assinado em 2017, apenas dois anos após o caso do pequeno Kurdi, e renovado nos anos subsequentes. No entanto, as partidas por mar para a Europa continuam numerosas — 43.580 pessoas nos primeiros oito meses de 2025 — demonstrando que as viagens pelo Mediterrâneo, longe de diminuir, são apenas cada vez mais perigosas.

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