O papa, a Cúria Romana e a abertura às mulheres. Artigo de Luigi Sandri

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14 Janeiro 2025

"Na Cúria e no Estado da Cidade do Vaticano, já havia mulheres (religiosas ou leigas) em altos cargos de responsabilidade; Simona Brambilla, no entanto, é a primeira a entrar no restrito grupo de chefes de dicastério, até agora sempre cardeais. E, prevê-se, em breve não será a única", escreve Luigi Sandri, jornalista italiano, em artigo publicado por L'Adige, 13-01-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Anúncio de uma temporada opulenta e cheia de flores ou, ao contrário, uma andorinha que não faz verão?

Esse é o dilema enfrentado pela nomeação papal da primeira mulher para liderar um dicastério da Cúria Romana, o complexo órgão que ajuda Francisco a governar toda a Igreja Católica.

Em 6 de janeiro, de fato, o pontífice nomeou a irmã Simona Brambilla prefeita (chefe) do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, e pró-prefeito da mesma instituição um cardeal espanhol, o salesiano Ángel Fernández Artime. Ela terá a supervisão de cerca de um milhão de mulheres e homens “religiosos”, espalhados pelo mundo. Portanto, pela primeira vez na história, uma mulher entra no círculo mais próximo dos colaboradores do papa, onde até agora isso só era possível para os homens.

A recém-eleita nasceu em Monza em 1965: depois de se formar como enfermeira, tornou-se religiosa das Missionárias da Consolata, estudou psicologia na Universidade Gregoriana de Roma, esteve em uma missão em Moçambique por alguns anos e depois se tornou secretária do dicastério do qual agora é prefeita.

Na Cúria e no Estado da Cidade do Vaticano, já havia mulheres (religiosas ou leigas) em altos cargos de responsabilidade; Simona Brambilla, no entanto, é a primeira a entrar no restrito grupo de chefes de dicastério, até agora sempre cardeais. E, prevê-se, em breve não será a única.

Muitos, e não homogêneos, os comentários sobre a escolha de Bergoglio: para alguns e algumas, essa decisão inovadora marca o início do fim daquela Igreja “masculinizada”, tantas vezes denunciada pelo papa reinante; para outros e outras, no entanto, ela permanece em linha de princípio inacabada e contraditória, já que Francisco se declarou expressamente contrário à ordenação de diáconas e não quis que o último sínodo dos bispos, em outubro passado, votasse de modo explícito sobre essa possibilidade.

O aprofundamento da temática foi confiado a um restrito grupo de estudo que lhe apresentará um relatório até junho. Portanto, de acordo com aqueles que destacam as limitações da escolha papal, reservar a ordenação para os principais ministérios apenas para os homens deixa a Igreja estruturalmente machista. Até mesmo o fato de a prefeita ter ao seu lado um pró-prefeito homem dá a impressão de que o primeiro (aliás, a primeira) está sob tutela. Talvez será a experiência a resolver problemas novos, superando alguns de fato e deixando outros sem solução, até que um Concílio de “padres” e de “madres” decida que até mesmo os “altos” ministérios estão abertos a homens e mulheres.

O que pareceria uma tremenda novidade, é apenas porque esquecemos que Jesus confiou a uma mulher, Maria de Magdala, a tarefa de anunciar sua ressurreição a apóstolos e discípulos.

Se isso acontecer, a mudança radical será considerada, por alguns grupos católicos, uma traição à mensagem de Jesus e à “tradição”, mas, por outros, um retorno ao Evangelho mais puro e à Igreja das origens.

A história julgará quem terá tido uma percepção melhor.

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