O Papa escreve aos habitantes de Gaza: “Martirizados e expulsos: estou com vocês”

Foto: Vatican News

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09 Outubro 2024

No aniversário do ataque do Hamas a Israel, Francisco envia uma carta a todos os católicos do Oriente Médio.

A reportagem é de Fabrizio Mastrofini, publicada por l'Unità, 08-10-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

Após o repetido apelo de domingo por um cessar-fogo e após reiterar mais uma vez a insensatez da guerra, ontem, na carta, ele estigmatizou a “espiral de violência” “deflagrada” há um ano e alimentada pela “vergonhosa incapacidade da comunidade internacional e dos países mais poderosos de silenciar as armas e pôr fim à tragédia da guerra”. E acrescenta: “os homens hoje não sabem como encontrar a paz e nós, cristãos, não devemos nos cansar de pedi-la a Deus”. Em seguida, vem o leitmotiv da mensagem, o repetido “estou com vocês” que o Papa Francisco usa para descrever o horror do conflito.

“Estou com vocês, habitantes de Gaza, martirizados ao extremo, que estão todos os dias em meus pensamentos e nas minhas orações”.

A lista continua assim: “Estou com vocês, forçados a deixar suas casas, a abandonar a escola e o trabalho, a vagar em busca de um destino para escapar das bombas. Estou com vocês, mães que derramam lágrimas ao ver seus filhos mortos ou feridos, como Maria vendo Jesus; com vocês, pequeninos que habitam as grandes terras do Oriente Médio, onde as tramas dos poderosos lhes tiram o direito de brincar.

Estou com vocês, que têm medo de olhar para cima, porque do céu chove fogo. Estou com vocês, que não têm voz, porque se fala muito de planos e estratégias, mas pouco da situação concreta daqueles que sofrem a guerra, que os poderosos obrigam os outros a fazer; sobre eles, no entanto, paira a indagação inflexível de Deus. Estou com vocês, sedentos de paz e justiça, que não se rendem à lógica do mal e, em nome de Jesus, amam seus inimigos e oram por aqueles que os perseguem”.

“Obrigado a vocês, filhos da paz, porque consolam o coração de Deus, ferido pelo mal do homem”, conclui a carta. “E obrigado a todos aqueles que, em todo o mundo, os ajudam; a eles, que cuidam em vocês do Cristo faminto, doente, estrangeiro, abandonado, pobre e necessitado, peço que continuem a fazê-lo com generosidade”. A mensagem é dirigida aos católicos, “mas também a todos os homens e mulheres de todas as confissões e religiões que, no Oriente Médio, sofrem pela loucura da guerra”.

No domingo, no Angelus, ao repetir o apelo pela paz para toda a região, citando explicitamente o Líbano e o Irã, reiterou que em um ano “o Oriente Médio mergulhou em um sofrimento cada vez mais grave, com ações militares destrutivas que continuam a atingir a população palestina”. E acrescentou ontem, novamente, aquela que é a posição da Santa Sé sobre o conflito: “todas as nações têm o direito de existir em paz e segurança, e seus territórios não devem ser atacados ou invadidos, a soberania deve ser respeitada e garantida pelo diálogo e pela paz, não pelo ódio e pela guerra”.

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