Daniel Ortega: "O Vaticano é parte do conglomerado do fascismo que quer dominar o mundo"

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27 Agosto 2024

  • Acusa a Santa Sé de ter sido "cúmplice dos nazistas" e fascistas na Alemanha, Itália e Espanha.

  • Um total de 245 religiosos foram forçados ao exílio ou foram expulsos da Nicarágua desde o início da crise social e política em abril de 2018, de acordo com o estudo 'Nicarágua: Uma Igreja Perseguida?', da pesquisadora exilada Martha Patricia Molina.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 27-08-2024.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, apontou nesta segunda-feira ao Vaticano como parte do "conglomerado do fascismo", em meio às tensas relações entre o governo sandinista e a Igreja Católica.

Durante uma cúpula virtual com chefes de Estado da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA), Ortega acusou o Vaticano de ser um Estado "que está claramente a favor do império", em alusão aos Estados Unidos, embora não tenha apresentado provas.

O mandatário nicaraguense também acusou a Santa Sé de ter sido "cúmplice dos nazistas" da Alemanha e dos fascistas da Espanha e Itália no século passado.

"O Vaticano é mais um instrumento em todas essas batalhas que estamos travando (no mundo), um instrumento a mais que faz parte do conglomerado do fascismo que, em novas modalidades, quer dominar o mundo", afirmou.

A crítica de Ortega ao Vaticano ocorre um dia depois de o papa Francisco encorajar o "amado" povo da Nicarágua a renovar sua "esperança" em Jesus Cristo, em meio às tensas relações com o governo de Daniel Ortega e ao encarceramento e expulsão de sacerdotes.

"Ao amado povo da Nicarágua, encorajo a renovar a vossa esperança em Jesus; lembrem-se de que o Espírito Santo sempre guia a história para projetos mais elevados", disse o pontífice argentino após a oração do Ângelus dominical da janela do Palácio Apostólico.

E acrescentou: "Que a Virgem Imaculada os proteja nos momentos de prova e os faça sentir sua ternura maternal. Que a Virgem acompanhe o amado povo da Nicarágua."

Relações diplomáticas estão suspensas

As relações entre o governo de Ortega e a Igreja Católica estão vivendo momentos de grande tensão, caracterizadas pela expulsão e encarceramento de sacerdotes, pela proibição de atividades religiosas e pela suspensão das relações diplomáticas.

Um total de 245 religiosos foram forçados ao exílio ou foram expulsos da Nicarágua desde o início da crise social e política em abril de 2018, de acordo com o estudo 'Nicarágua: Uma Igreja Perseguida?', da pesquisadora exilada Martha Patricia Molina.

Rolando e Silvio | Foto: RD

Em agosto de 2023, Ortega ordenou a dissolução no país da Companhia de Jesus, os jesuítas, ordem à qual pertence o próprio papa Francisco, além de expropriar todo o seu patrimônio.

Meses antes, o pontífice havia atacado o regime de Ortega, qualificando-o de "ditadura grosseira", após a condenação do bispo nicaraguense Rolando Álvarez.

O governo nicaraguense chegou a um acordo com a Santa Sé para a liberação de determinados clérigos presos no país e seu traslado para o Vaticano, como foi o caso em janeiro dos bispos Rolando Álvarez e Isidoro Mora, assim como de outros 15 padres e dois seminaristas.

 

Sacerdotes exilados da Nicarágua | Foto: RD

A última liberação e desterro ocorreu no dia 18 de agosto, com os padres Leonel Balmaceda e Denis Martínez, que haviam sido detidos uma semana antes.

A Nicarágua atravessa uma crise desde abril de 2018, que se intensificou após as eleições de novembro de 2021, nas quais Ortega foi reeleito para um quinto mandato, quarto consecutivo e segundo ao lado de sua esposa, Rosario Murillo, como vice-presidente, com seus principais contendores na prisão.

Não é a primeira vez que o papa Francisco menciona a situação na Nicarágua; no dia 1º de janeiro, no primeiro Ângelus do ano, expressou publicamente sua "preocupação" pela prisão de clérigos católicos e pediu para que se buscasse "sempre o caminho do diálogo".

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