Em marcha, indígenas denunciam favorecimento do agro pelo governo Lula e cobram demarcações

Foto: Maiara Dourado | Cimi

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

27 Junho 2024

Indígenas que participam do acampamento Levante Pela Terra, em Brasília (DF), denunciam o valor destinado ao agronegócio, por meio do Plano Safra 2024/2025, enquanto valores ínfimos são destinados à demarcação de terras indígenas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A manifestação será nesta quarta-feira (26), com concentração prevista para as 14h (horário de Brasília), na Biblioteca Nacional da capital federal.

A informação é da assessoria de comunicação do Levante pela Terra, publicada por Cimi, 25-06-2024.

Pela primeira vez na história, o Plano Safra deve superar a cifra de R$ 500 bilhões em créditos e incentivos para os agricultores, montante ainda maior do que o destinado no ano anterior, quando o programa atingiu R$ 435,8 bilhões. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), organização que representa o agronegócio no Brasil, defendeu que o incremento em relação ao plano de 2023/2024 fosse de pelo menos 30%, o que corresponderia a um valor de total de aproximadamente R$ 570 bilhões.

O objetivo da manifestação é deixar um recado dos povos indígenas ao Estado brasileiro. O governo Lula, por meio do Plano Safra 2024/2025, prevê “liberar mais de R$ 500 bilhões, a metade de R$ 1 trilhão, enquanto nós, os povos indígenas do Brasil, estamos só com uns tostões até agora, e as demarcações de terra, homologações e portarias declaratórias todas travadas”, denuncia Kretã Kaingang, um dos coordenadores do Levante pela Terra.

Outra pauta elencada pelos indígenas é a derrubada da Lei 14.701, a “Lei do Marco Temporal”, que fixa tanto o marco temporal como outras normas de impedimento à demarcação de terras indígenas. “Nossa luta é incansável contra a Lei 14.701, que está travada no Supremo Tribunal Federal”, chama atenção Kretã.

Na avaliação dos indígenas, a proposta está sendo usada para “negociar os direitos e abrir as terras indígenas para o agronegócio e, principalmente, para a mineração. Então, estamos lançando a luta do mês de julho contra o agronegócio, contra o Plano Safra de mais de 500 bilhões de reais, e fortalecendo também a nossa luta pela derrubada da lei 14.701”, afirma o coordenador do Levante pela Terra.

O lançamento do Plano Safra 2024/2025 está previsto para o dia 3 de julho, conforme o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Paulo Teixeira. Para os indígenas, a data será de manifestações em todo país, asseguram as lideranças do Levante Pela Terra.

II Edição do Levante pela Terra

A II Edição do Levante pela Terra iniciou nesta segunda-feira (24) e espera receber mais de 500 indígenas de diversos povos de todo o Brasil até a próxima sexta-feira (28). O acampamento foi instalado no Complexo Cultural Funarte, em Brasília (DF).

Durante a plenária de abertura, realizada esta tarde (24), lideranças e organizações indígenas e indigenistas rememoraram a primeira edição do evento, em 2021. A mobilização teve uma importância histórica para derrubada da tese do marco temporal, confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro do ano passado.

Para Simão Guarani Kaiowá, o Levante evidencia a luta indígena, mesmo diante das inúmeras tentativas de retrocesso promovidas pelo Congresso Nacional. “Estamos aqui para defender o nosso direito e a nossa terra, por isso chamamos o acampamento de Levante pela Terra”, explica a liderança da Aty Guasu.

“Até o momento, a gente não recebeu nenhuma resposta do que foi prometida pelo governo federal. E agora, o Plano Safra será lançado com 500 e poucos bilhões, mas para a demarcação que foi prometida não tem nenhum centavo”, denuncia Simão.

Ao longo da semana, como parte da programação do Levante pela Terra 2024, estão previstas plenárias, atos e marchas em Brasília.

Leia mais