08 Março 2024
Novas descobertas sugerem que o primeiro dia sem gelo no Ártico poderá ser realidade mais de 10 anos antes das projeções anteriores feitas pelos cientistas.
A informação é publicada por ClimaInfo, 07-03-2024.
O Ártico é um habitat único, abrigando ursos polares, morsas e focas. No entanto, vem sofrendo ano a ano com o aumento da temperatura global provocado pelas emissões oriundas da queima de combustíveis fósseis, principalmente. E o fim desse “mar de gelo” pode estar mais perto do que se esperava.
Um estudo publicado na Nature Reviews Earth & Environment mostra que a região poderá ter dias de verão praticamente sem gelo marinho já na próxima década, transformando o “Ártico Branco” em “Ártico Azul”, destaca o Guardian. Tal situação já era prevista. Mas o que a nova pesquisa sugere é que ela pode ocorrer mais de 10 anos antes do que se esperava.
O cálculo utilizado para indicar o que é “sem gelo” considera uma área menor que 1 milhão de km². Nesse caso, o Ártico seria majoritariamente constituído por água.
O limiar representa menos de 20% do que era a cobertura mínima de gelo do Ártico na década de 1980, lembra o Euronews. Nos últimos anos, o oceano tinha cerca de 3,3 milhões de km² de gelo marinho no seu mínimo, em setembro – quando termina o verão no hemisfério norte.
Segundo os autores da pesquisa, setembros consistentemente sem gelo podem ser esperados entre 2035 e 2067. O ano exato dentro desse período depende da rapidez com que o mundo reduz a queima de combustíveis fósseis, alertam.
A frequência com que ocorrem condições sem gelo pode variar dependendo dos níveis futuros de aquecimento. Por exemplo, se condições sem gelo ocorrerem com aquecimento de 1,5°C, é improvável que se repitam por várias décadas. Mas se a elevação da temperatura global ultrapassar 2°C ou 3°C, condições sem gelo em setembro provavelmente se repetiriam a cada dois ou três anos ou quase todo ano, respectivamente, detalha o Down to Earth.
Apesar do alerta, a pesquisa também afirma que o Ártico é resiliente. Assim, segundo os cientistas, a região pode voltar à normalidade se a atmosfera esfriar.
WION, Earth.com, USA Today, CBS, Forbes e Newsweek também destacaram o estudo sobre a antecipação do derretimento no Ártico.
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