Papa Francisco perdeu a luta contra os abusos sexuais clericais?

Foto: Alexander Krivitskiy | Unsplash

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29 Fevereiro 2024

Este mês de fevereiro marca o quinto aniversário de um dos esforços seminais do Papa Francisco para enfrentar o abuso sexual clerical: a primeira cúpula vaticana de 2019 sobre a prevenção ao abuso com os presidentes das conferências episcopais católicas do mundo.

A reportagem é de Christopher White, publicada em National Catholic Reporter, 27-02-2024. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Olhando agora para trás, uma das principais defensoras dos sobreviventes de abusos clericais nos Estados Unidos disse ao National Catholic Reporter que, embora a cúpula tenha resultado em uma “construção massiva de consciencialização pública” sobre os abusos clericais, seu impacto mais amplo foi “mínimo”.

Anne Barrett Doyle, que acompanhou os dados sobre os abusos clericais ao longo de décadas como codiretora do site BishopAccountability.org, destacou em particular as críticas ao documento de reforma Vos estis lux mundi, que é a “marca registrada” de Francisco contra os abusos clericais, publicado após a cúpula.

“Seu impacto tem sido insignificante, até onde sabemos”, disse Barrett Doyle, entrevistada em Roma para o podcast “The Vatican Briefing” do NCR. A defensora dos sobreviventes criticou a forma como a lei de reforma, que criou um novo sistema para avaliar acusações de abuso ou de encobrimento por parte dos bispos, não partilha com o público quais bispos que estão sendo investigados.

Alguns especialistas em direito canônico dizem que o Vaticano mantém essas informações privadas para proteger a reputação dos bispos acusados, enquanto as investigações ainda estão em seus estágios iniciais.

“Isso se assemelha muito às leis anteriores ao Vos estis, todas envoltas em sigilo”, disse Barrett Doyle. “Não temos ideia de quantos bispos foram investigados a partir do Vos estis. O BishopAccountability.org tenta contá-los, mas as informações são muito vagas”.

Em sua entrevista ao podcast, Barrett Doyle também criticou a estrutura do principal grupo consultivo de Francisco sobre o abuso sexual clerical, dizendo que a Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores tem “uma missão impossível”.

“Eles deveriam estar monitorando o progresso da Igreja na salvaguarda, sem estarem autorizados a investigar casos individuais”, disse ela. “Isso é ridiculamente impossível.”

“A verdade só aparece nos casos individuais”, disse Barrett Doyle. “Literalmente, o diabo está nesses detalhes”.

“Acho que a comissão foi explorada pelo Vaticano para fazê-los parecer que estão prestando contas a um órgão semiexterno, o que não é verdade, e eu acho que a comissão perdeu credibilidade”, disse ela.

O episódio completo do podcast em inglês está disponível aqui.

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