Outro “não” decisivo do Vaticano aos reformadores alemães

Köllner Dom (Foto: Daniel Mennerich | Flickr CC)

Mais Lidos

  • Apenas algumas horas após receber um doutorado honorário da UAB, essa importante voz da teoria feminista analisa as causas e possíveis soluções para a ascensão do totalitarismo

    “É essencial que a esquerda pare de julgar a classe trabalhadora que vota na direita.” Entrevista com Judith Butler

    LER MAIS
  • Conscientização individual dos efeitos das mudanças climáticas aumenta, mas enfrentamento dos eventos extremos depende de ação coletiva, diz pesquisador da Universidade de Santa Cruz (Unisc)

    Dois anos após as enchentes: planos de governo das prefeituras gaúchas não enfrentam as questões climáticas. Entrevista especial com João Pedro Schmidt

    LER MAIS
  • Como Belo Monte mudou para sempre o Xingu

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

19 Abril 2023

O Vaticano enfatizou que os leigos católicos não podem participar da eleição de um bispo e, portanto, rejeitou outra proposta de reforma feita pela iniciativa do Caminho Sinodal da Alemanha.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada por The Tablet, 18-04-2023. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em setembro passado, a arquidiocese alemã de Paderborn assumiu a proposta de reforma da iniciativa do Caminho Sinodal intitulada “Envolvimento dos fiéis na nomeação do bispo diocesano”. Por sorteio, ela escolheu 14 leigos católicos que se somariam aos 14 membros do capítulo da catedral na seleção de uma lista de candidatos que o capítulo submete ao papa.

A forma como os bispos são nomeados nas dioceses alemãs difere de acordo com as normas estabelecidas nas concordatas entre os diferentes Estados alemães e a Santa Sé.

Em Paderborn, os 14 membros do capítulo da catedral elaboram uma lista de possíveis candidatos, submetem-na ao Vaticano, que escolhe três nomes da lista e os enviam de volta a Paderborn. O capítulo, então, escolhe um dos três candidatos como arcebispo.

No dia 12 de abril, os 14 membros leigos de Paderborn receberam uma carta do reitor da catedral, Pe. Joachim Göbel, informando-os de que, a fim de garantir a legalidade da eleição episcopal, o Vaticano não poderia permitir que eles participassem do processo. O núncio papal na Alemanha, arcebispo Nikola Eterovic, transmitiu a mensagem do Vaticano, que era “absolutamente clara” a esse respeito, ressaltou Göbel em sua carta.

Göbel lamentou a decisão do Vaticano. A maioria dos membros do capítulo de Paderborn era favorável à expansão do direito de voto aos fiéis leigos. A arquidiocese está vacante desde 1º de outubro de 2022, quando o arcebispo Hans-Josef Becker se aposentou aos 75 anos. Becker é um forte apoiador da iniciativa do Caminho Sinodal alemão para a reforma da Igreja e esperava muito a participação leiga na nomeação episcopal.

Paderborn desempenhou um papel pioneiro e foi observada de perto por todas as dioceses alemãs, pois foi a primeira diocese a ficar vacante após a decisão do Caminho Sinodal de reformar as nomeações episcopais.

O fato de o Vaticano ter agora proibido expressamente a participação dos leigos nas nomeações episcopais terá um efeito marcante em outras dioceses alemãs. No fim de março, a Diocese de Osnabrück ficou vacante quando o papa aceitou a renúncia do bispo Franz-Josef Bode. Bode também era muito favorável a permitir que fiéis leigos participem da nomeação de um novo bispo.

Leia mais