Depois de Becciu e Zen agora cabe a Gänswein. Uma mudança de curso?

Georg Gänswein (Foto: Vatican News)

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10 Janeiro 2023

É uma das notícias mais inesperadas, aquela divulgada oficialmente hoje pela Sala de Imprensa do Vaticano: o Santo Padre recebeu em audiência "S.E. Mons. Georg Gänswein, Arcebispo tit. de Urbisaglia, Prefeito da Casa Pontifícia". Uma comunicação com tanta solenidade - impressa na Folha das Audiências Papais - para um prelado em tensão e conflito com o Papa tem um significado específico e, sobretudo, também relevante por se tratar de uma nova audiência privada de Francisco com personalidades eclesiásticas com as quais surgiram severas dificuldades nas relações pessoais e na colaboração institucional. Agora, em vários lugares, muitos se fazem a mesma pergunta: qual poderia ser o significado subjacente desse comportamento do Papa, quase sempre frio e rigoroso com aqueles que ele afastou?

A reportagem é de Luis Badilla, publicada por Il Sismografo, 09-01-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

O Papa Francisco já recebeu várias vezes, e até visitou, o cardeal G.A. Becciu, a quem defenestrou sob a acusação de peculato para depois o enviar a julgamento. O último encontro entre os dois aconteceu no sábado, 26 de novembro passado.

Há poucos dias - sexta-feira, 6 de janeiro, solenidade da Epifania - o Santo Padre recebeu - e mandou distribuir uma foto oficial do encontro - o cardeal chinês Joseph Zen Ze-kiunn, pessoa em aberta polêmica com a Sé Apostólica pela assinatura dos acordos confidenciais com Pequim.

O Papa recebeu hoje o secretário pessoal de Joseph Ratzinger, o arcebispo alemão Georg Gänswein, autor do livro nas livrarias desde quinta-feira que contém várias passagens polêmicas contra o Pontífice e algumas de suas decisões.

Nient'altro che la verità. La mia vita al fianco di Benedetto XVI

A questão principal a esse respeito é esta: o Papa Emérito conhecia os rascunhos do livro? Certamente isso também foi discutido durante a audiência de hoje.

O fato singular, bastante interessante em um momento como o atual, é decifrar uma questão precisa: o Papa Francisco está tentando abrir, com inteligência e generosidade, um caminho diferente, menos polêmico e divisivo, de modo a conseguir, se possível, compactar toda a Igreja, ainda que na diversidade, a fim de evitar outras cisões e eventuais revoltas cismáticas?

As respostas virão com o passar do tempo e não dependem apenas do Santo Padre.

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