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01 Outubro 2022

 

Na intervenção programática do ano pastoral (17 de setembro), Ivo Muser, bispo da diocese de Bolzano-Bressanone, intitulada "Sobre a tua palavra... próximos e juntos”, ilustrou o caminho sinodal. Na parte dedicada às paróquias defendeu a mudança estrutural em curso ("equipes pastorais"): elas "só terão futuro se houver uma comunidade de pessoas - mesmo pequena - que se responsabilize por elas".

 

O texto da conferência foi publicado por Settimana News, 28-09-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o texto.

 

Neste ponto, gostaria de fazer uma observação provocativa. Temos um bom tema para o ano pastoral, que estimula e inspira. Temos dois pontos focais, a Palavra de Deus e o amor concreto ao próximo. Mas não sabemos como ir em frente nas paróquias. Mal conseguimos administrar a vida cotidiana: onde deveríamos encontrar mais espaço para novos temas?

 

Edificar juntos a paróquia

 

Os impulsos vindos da Igreja universal ou da diocese, mesmo as boas ideias que surgem nas próprias paróquias, permanecem letra morta, simplesmente porque já estamos toalmente empenhados em dar forma à vida cotidiana.

 

A estrutura da pastoral - como a conhecemos até agora - está se dissolvendo. Ao mesmo tempo, não podemos negar que a falta de fiéis é ainda mais grave do que a falta de sacerdotes! A Igreja popular, a ancoragem da Igreja no povo, está passando por uma convulsão, está desaparecendo, lembrando-nos o recuo dramático das geleiras, que ficou particularmente evidente neste verão.

 

A Igreja popular se retira, como as geleiras

 

A secularização, a individualização e a privatização na relação com a fé e a Igreja tornaram-se um importante desafio.

 

Menos EU e mais NÓS - nos faria bem. A fé cristã é pessoal, mas nunca privada! Por sua natureza, está ligado à comunidade. O que faço para que a comunidade de crentes permaneça viva?

 

Nesse sentido, gostaria de oferecer duas sugestões. Maria e Marta também nos fornecem a imagem apropriada aqui. Numa época de mudanças como a nossa, podemos, aliás, devemos seguir o exemplo dessas duas mulheres.

 

Maria simboliza a capacidade de não se perder na diversidade de tarefas e de manter um olhar lúcido sobre o que é necessário: Cristo e sua Palavra. Este é o único sentido do nosso tema anual. “Próximos e juntos” não significa fazer algo especial, mas fazê-lo com uma qualidade particular. Trata-se de dedicar uma atenção a Deus e aos outros, que precede nossas ações e deve acompanhá-las. Os pontos focais do tema anual, a Bíblia e o amor ao próximo, ilustram o centro necessário de nossa ação.

 

Especialmente quando tudo parece demais e muito confuso, é importante encontrar momentos de recolhimento com Deus e com as pessoas. Compartilhar a Bíblia juntos e buscar a Deus; o tempo que dedicamos às pessoas e o nosso estarmos uns para os outros não são um luxo, mas a única coisa que é necessária e que deveríamos buscar e escolher primeiro. Todo o resto ganhará força e alegria a partir disso.

 

Marta representa a casa bem ordenada, onde o cotidiano tem uma sua regra e o hóspede é bem-vindo. Assim deveria ser a nossa paróquia: bem equipada para a vida cotidiana e aberta ao novo, às pessoas que querem ser nossos hóspedes. Lembremos que Jesus não censura Marta pela organização da casa, muito pelo contrário. No entanto, ajuda-a a não perder de vista a fonte de suas ações, a não perder a orientação nas inúmeras tarefas.

 

Um caminho partilhado

 

Hoje é importante cuidar das nossas paróquias como de uma casa bem arrumada, sobretudo no que diz respeito à sua liderança. A mudança estrutural tornou-se evidente e precisa ser abordada com muito mais determinação do que antes. As orientações sobre as equipes pastorais e sobre a colaboração na liderança das comunidades paroquiais oferecem um caminho viável.

 

Alguns detalhes podem ser discutidos, os procedimentos criticados e em algumas questões nos tornaremos mais sábios graças à experiência. Mas não há como evitá-lo: nossas paróquias só terão futuro se houver uma comunidade de pessoas - mesmo pequena - que se responsabilize por elas.

 

Quando penso nas equipes pastorais que já existem ou estão sendo montadas em muitas paróquias, principalmente o termo “juntos” me vem à mente. Uma paróquia está viva quando no seu centro há uma ação comum, um caminho compartilhado. Não o programa, nem as tarefas, mas as pessoas são o fulcro de um saudável cuidado pastoral.

 

A primeira tarefa do conselho pastoral paroquial e da equipe pastoral é conhecer as pessoas e permitir que o maior número possível de fiéis experimente o serviço comum à paróquia.

 

São Paulo o recomendou fortemente aos cristãos de Corinto: cada um de nós recebeu talentos com os quais podemos construir a comunidade e dar forma à Igreja. Ninguém é simplesmente um consumidor, porque cada um tem uma contribuição a dar à Igreja. Portanto, a tarefa mais importante e urgente no governo da paróquia não é o programa, mas a pessoa, a quem ajudamos para que seus dons e talentos possam desabrochar para o bem da comunidade.

 

O cuidado para o aprofundamento da espiritualidade e o esforço por uma boa organização não se contradizem, mas são mutuamente dependentes, assim como as palavras-chave “próximos” e “juntos” se complementam e se condicionam.

 

Profundidade espiritual e organização são as pedras angulares que nos ajudam a superar a sensação de opressão que muitas vezes nos paralisa hoje. Por isso, gostaria que o tema anual “próximos e juntos” não fosse uma tarefa adicional, mas um convite urgente para trabalhar nas bases, sem as quais tudo o resto não pode ser bem-sucedido”.

 

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