África. Milhões de crianças estão à beira da catástrofe

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31 Agosto 2022

 

Milhões de crianças em vários países da África estão entre as populações afetadas pela seca e sem acesso à água potável, literalmente à beira da catástrofe, alertou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em relatório publicado na terça-feira, 23 de agosto.

 

A reportagem é publicada por Rebelión, 30-08-2022. A tradução é do Cepat.

 

Catherine Russell, diretora executiva do Unicef, disse que “no Chifre da África e no Sahel, milhões de crianças estão a apenas uma doença da catástrofe”.

 

Na Etiópia e na Somália (no Chifre da África) e no Quênia, o número de pessoas afetadas pela seca e sem acesso à água potável passou de 9,5 milhões de pessoas para 16,2 milhões no espaço de cinco meses, expondo crianças e suas famílias a um risco crescente de doenças como cólera e diarreia.

 

Mas também no Sahel, faixa semiárida que vai do Atlântico ao Mar Vermelho e separa o deserto do Saara da área de florestas no centro do continente, há milhões de pessoas, incluindo muitas crianças, em situação de vulnerabilidade.

 

A grave desnutrição e o risco de contrair doenças transmitidas pela água insalubre sofridos pelas crianças no Chifre da África e no Sahel podem levar a uma mortalidade devastadora se não for fornecida ajuda urgente, aponta o relatório.

 

Mais de 2,8 milhões de crianças em ambas as regiões já sofrem de desnutrição aguda grave, o que significa que seu risco de morrer por doenças transmitidas pela água é 11 vezes maior do que o de crianças em países bem alimentados.

 

No início da Semana Mundial da Água, que se comemora de 23 de agosto a 1º de setembro, Russell lembrou que, segundo a Organização Mundial da Saúde, mais crianças morrem no Sahel devido à água imprópria e à falta de saneamento do que em qualquer outro lugar do mundo.

 

“A história nos ensina que se você combina altos níveis de desnutrição aguda grave em crianças com surtos mortais de doenças como o cólera ou a diarreia, a mortalidade infantil aumenta dramática e tragicamente”, disse Russell.

 

Ela enfatizou que “quando a água não está acessível ou é insalubre, os riscos para as crianças se multiplicam exponencialmente”.

 

Já em Burkina Faso, Chade, Mali, Níger e Nigéria, a seca, os conflitos e a instabilidade estão levando à insegurança hídrica, com 40 milhões de crianças enfrentando níveis altos ou extremamente altos de vulnerabilidade hídrica.

 

No Chifre da África, a maioria das populações depende da água fornecida por caminhões-pipa ou carroças de burro. Nas áreas mais afetadas pela seca, a água não está mais acessível para muitas famílias.

 

Entre os dados que ilustram a situação, o relatório menciona que em relação a janeiro de 2021, em 23 municípios do Quênia, os preços da água a que podem ter acesso subiram entre 260% e 400%.

 

Nas áreas do Quênia afetadas pela seca, mais de 90% das fontes de água ao ar livre – como lagoas e poços – estão esgotadas ou secas, representando um sério risco de surtos de doenças.

 

No sul da região somali de Mudug, o custo da água subiu 85% em relação aos preços de janeiro passado, e entre 55% e 75% em outras regiões.

 

Surtos de diarreia e cólera foram relatados em quase todos os distritos somalis afetados pela seca, com 8.200 casos confirmados nos primeiros seis meses do ano, mais que o dobro do número no mesmo período de 2021.

 

Houve uma redução de mais de 40% na disponibilidade de água no Sahel nos últimos 20 anos em consequência das mudanças climáticas e outros fatores, como os conflitos.

 

Somente no ano passado, a África Ocidental e Central sofreu o pior surto de cólera dos últimos seis anos, com 5.610 casos e 170 mortes no Sahel central.

 

Para ter uma noção do desespero dessas famílias, Russell pediu para imaginar a escolha impossível que muitas mães e pais devem enfrentar:

 

“Imagine ter que escolher entre comprar pão ou água para uma criança com fome e sede, que já está doente, ou entre ver seu filho passar muita sede ou deixá-lo beber água contaminada que pode provocar doenças mortais”, disse.

 

Russell disse que a única maneira de enfrentar esta crise consiste em “fazer com que os governos, os doadores e a comunidade internacional aumentem o financiamento para atender às necessidades mais urgentes das crianças e forneçam apoio flexível de longo prazo para quebrar o ciclo da crise”.

 

O Unicef tem programas para melhorar o acesso das populações aos serviços de água, saneamento e higiene, perfuração de poços confiáveis, identificar e tratar crianças desnutridas e ampliar os serviços de prevenção.

 

Esses programas para o Sahel central arrecadaram apenas 22% do financiamento necessário, e aqueles para o Chifre da África mal têm 3% dos fundos necessários, assinalou o relatório.

 

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