Aquele indício nas entrelinhas: a Igreja abre para a identidade de gênero?

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15 Agosto 2022

 

Um questionário para um projeto coordenado pelo número dois de um Dicastério do Vaticano prevê uma terceira opção de gênero. E os resultados chegarão ao Sínodo.

 

A reportagem é de Nico Spuntoni, publicada pelo Il Giornale, 14-08-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Homem, mulher, ou? Quem teria pensado em ler uma terceira opção sobre o gênero ("não se aplica a você") em um questionário destinado a chegar à mesa do Sínodo dos Bispos agendado para outubro de 2023. No entanto, é o que vemos no formulário publicado na web nestes dias por cerca de 200 influenciadores de todo o mundo no âmbito do projeto "A Igreja escuta você" (La Chiesa ti ascolta). Uma pesquisa confiada aos chamados "missionários digitais" e que visa coletar as impressões e opiniões dos internautas sobre sua relação com a Igreja.

 

A iniciativa tem o imprimatur do Vaticano, já que o coordenador de “A Igreja escuta você” é Monsenhor Lucio Adrian Ruiz, secretário do Dicastério para a Comunicação. De acordo com o que foi noticiado pelo Avvenire, o jornal da Conferência Episcopal Italiana, a decisão de recorrer a influenciadores para enriquecer as contribuições no processo do Caminho Sinodal em curso teria sido tomada em função da escassa adesão dos jovens à fase diocesana que terminou em abril passado.

 

No questionário, que pede aos participantes para dizer o que acham que a Igreja deveria fazer para torná-la mais próxima, é possível se declarar homem, mulher ou escolher a caixa "não se aplica a você" que vai ao encontro de quem se identifica com o chamado gênero não-binário. As temáticas arco-íris também encontram espaço no restante do formulário: “Você acha que a Igreja ouve/conversa com outros grupos sociais? LGBTQI+, jornalistas, sindicatos, empresários, outras religiões, cientistas”, expressa uma das perguntas. Mais adiante, a opção “atender e acompanhar pessoas LGBTQI+” é indicada como um dos empenhos que se podem escolher entre aqueles que se acredita que a Igreja deveria assumir para se aproximar das pessoas.

 

Sobre este ponto, um dos documentos mais importantes da Igreja é representado pela Carta aos bispos sobre o cuidado pastoral das pessoas homossexuais escrita em 1986 pelo então cardeal prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger e aprovada por São João Paulo II em que se lia que “é necessário deixar bem claro que afastar-se do ensino da Igreja ou fazer silêncio em torno dele, sob o pretexto de oferecer um atendimento pastoral, não é forma legítima nem de autêntica atenção nem de pastoral válida. Em última análise, somente aquilo que é verdadeiro pode ser também pastoral. Quando não se tem presente a posição da Igreja, impede-se a homens e mulheres homossexuais de receberem o atendimento de que necessitam e ao qual têm direito".

 

Sobre a identidade de gênero, o Papa Francisco se expressou claramente várias vezes e cerca de um ano atrás, durante uma conversa com os jesuítas eslovacos durante sua visita apostólica, disse que "a ideologia de gênero é perigosa, porque é abstrata em relação à a vida concreta de uma pessoa, como se uma pessoa pudesse decidir abstratamente, à sua própria vontade, se e quando ser homem ou mulher".

 

Os resultados da pesquisa serão enviados, conforme explicado na abertura do formulário, ao Sínodo dos Bispos. Será o primeiro a se realizar no final de um processo que começou em outubro de 2021 e se articula através de uma primeira fase diocesana, uma seguinte continental e outra conclusiva prevista em Roma, em outubro de 2023. Um Sínodo que o Papa Francisco anunciou com o título "Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão".

 

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