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11 Agosto 2022

 

Recentemente o Papa Francisco falou sobre o mais importante que as pessoas precisam saber sobre Deus: Ele é pai e não renega nenhum de seus filhos.

 

A reportagem é de Luís Corrêa Lima, formado em Administração, Filosofia e Teologia. Também é mestre em História Social da Cultura pela PUC-Rio e doutor em História pela Universidade de Brasília - UnB, publicada por Dom Total, 10-08-2022.

 

O dia das mães neste ano trouxe à tona interessantes histórias de mães de LGBT+, como as relatadas no Jornal O Globo. Uma delas é a da aposentada Maria do Carmo, ou Carminha, como é mais conhecida, 69 anos, moradora da Rocinha. Ela leu a dissertação de mestrado de seu (até então) filho Lucas, que falava sobre estudos de gênero e a cena drag queen no Rio de Janeiro, com passagens autobiográficas. Enviou-lhe uma mensagem de áudio: “Isso significa que você é uma mulher trans”? A resposta foi sim e a mãe enviou uma nova mensagem: “Estou aqui para entender. Não vou te largar, você é minha filha”.

 

Assim a atriz e escritora de 33 anos sentiu-se segura para realizar a transição de gênero. E concluiu com uma homenagem à sua mãe ao retificar os próprios documentos. Passou a se chamar Maria Lucas. Ela conta que enfrentou um quadro depressivo provocado pela forma como a sociedade trata as pessoas trangênero. “Só não me matei porque escrevi um livro e por causa da relação com a minha mãe. É quando você entende que realmente importa para alguém”. E se reconhece privilegiada: “entre as minhas amigas travestis, talvez nenhuma tenha o mesmo apoio”.

 

O valor do amparo familiar é reconhecido por profissionais da saúde que atendem esta população. Segundo o médico Daniel Gilban, que trata de hormonização e saúde mental de jovens trans no Hospital Universitário Pedro Ernesto, “essas pessoas já sofrem muito, e não ter o apoio da família e dos amigos é grande parte disso”. E conclui: “é uma população com altos riscos de depressão e até suicídio. Portanto, o acolhimento familiar salva vidas”. Para apoiar a filha da melhor forma possível, Carminha procurou o grupo Diversidade Católica, voltado aos LGBT+, desde que a moça saiu do armário pela primeira vez, inicialmente como homem gay.

 

A história de Carminha e Maria Lucas tem uma outra parte não relatada no jornal, que vale a pena conhecer. Quando Lucas se assumiu gay, Carminha procurou a ajuda de um sacerdote em sua paróquia. Este, com calma e empatia, explicou-lhe que não se trata de doença e nem de opção, que Deus é o criador de todos os seres humanos, ama a todos e não rejeita nenhum. E recomendou que ela visse o filme Orações para Bobby. Depois disso, ela aceitou com alegria a orientação sexual de seu filho. Mas alguém lhe reprovou duramente: “como é que você, uma ministra da eucaristia, apoia seu filho que é homossexual”? E ela respondeu resoluta: “Jesus tirou o preconceito do meu coração”!

 

 

Este filho se descobriu depois uma mulher trans. Este processo é lento e complexo, conforme relata a própria Maria Lucas em um vídeo no qual é entrevistada. Foi por volta dos 30 anos que ela compreendeu a sua identidade de gênero, e entendeu melhor o que se passava consigo deste a infância. Sua mãe foi fundamental em todo este processo. Jesus tirou, sim, o preconceito do seu coração, servindo-se da empatia materna, de conversas esclarecedoras e de um filme tocante.

 

 

O papa Francisco encontrou-se diversas vezes com pessoas LGBT+. A todas elas traz uma palavra de conforto e encorajamento. Recentemente falou sobre o mais importante que estas pessoas precisam saber sobre Deus: Ele é pai e não renega nenhum de seus filhos. O Seu estilo é proximidade, misericórdia e ternura. Carminha representa para sua filha trans este amor divino que acolhe, a face amiga da Igreja, em meio a uma sociedade hostil. Ela não seguiu as vozes que clamavam pela rejeição, e assim pode comunicar o jugo leve e o fardo suave oferecidos por Jesus.

 

Parabéns, Maria Lucas, pela coragem de ser você mesma! Parabéns, Carminha, pelo exemplo de amor magnífico!

 

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