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18 Março 2022

 

"Quase meio século depois de seu lançamento no Festival de Veneza de 1964, onde ganhou o Grande Prêmio do Júri (o grande vencedor naquele ano foi Deserto Vermelho), O Evangelho Segundo São Mateus ainda é um filme moderno, com sua combinação de estilos – transitando entre o Neorrealismo italiano e a Nouvelle Vague francesa, sem falar no diálogo com Carl Theodor Dryer e Ingmar Bergman – e extremamente atual em sua mensagem humanista", escreve Alysson Oliveira, em artigo publicado por Cineweb, 07-03-2022.

 

Nota do Instituto Humanitas Unisinos - IHU:

 

Na Semana Santa deste ano o filme O Evangelho Segundo Mateus, de Pier Paolo Pasolini estará sendo debatido sob a coordenação do Prof. Faustino Teixeira.

 

 

Eis o artigo.

 

Talvez tenha sido necessário um cineasta ateu, homossexual e marxista, como Pier Paolo Pasolini, para fazer um dos maiores filmes sobre Jesus Cristo, O Evangelho Segundo São Mateus – assim como um escritor ateu e marxista, para fazer um dos maiores romances sobre o mesmo personagem, como José Saramago e seu O Evangelho Segundo Jesus Cristo. A ausência de uma mentalidade religiosa permitiu que o diretor italiano visse a figura de Cristo completamente humanizada, destituída de uma aura mística ou mesmo mítica.

 

 

Filmado na região de Basilicata, um lugar pobre e desolado, o filme acompanha a história de Cristo desde o momento em que o Anjo do Senhor (Rossana Di Rocco) anuncia a Maria (Margherita Caruso) sua gravidez inesperada até a crucificação e ressurreição. Pasolini – com o diretor de fotografia Tonino Delli Colli – trabalha com uma fotografia em preto e branco que, às vezes, parece sumir numa tela quase toda branca.

 

O elenco é formado por atores e atrizes não-profissionais da região – incluindo a mãe do diretor, Susanna Pasolini, como Maria na velhice. Enrique Irazoqui, um estudante de arquitetura espanhol, em seu primeiro (e um dos poucos) filmes, vive um Jesus etéreo, uma figura quase sobrenatural, mas calcada com os dois pés no chão, e uma ideologia que, não surpreendentemente, se aproxima do marxismo, com seu discurso sobre a igualdade, generosidade e contra a exploração.



A trilha sonora é um elemento à parte, que traz força e beleza ao filme. Pasolini transita entre a escolha óbvia de A Paixão de São Mateus, de Bach, bela e poderosa, mas coloca em momentos pontuais desde blues (na potente voz de Odetta, e sua versão clássica de Sometimes I feel like a motherless child), até trechos da Missa Luba, uma missa latina feita a partir de canções tradicionais do Congo, na voz dos Troubadours du Roi Baudouin. Essa combinação de estilos e gêneros cria um estranhamento, mas, ao mesmo tempo, momentos de profunda poesia – como numa das cenas mais marcantes, em que Jesus cura um leproso, e o filme explode em sons da Gloria, da Missa Luba.



Quase meio século depois de seu lançamento no Festival de Veneza de 1964, onde ganhou o Grande Prêmio do Júri (o grande vencedor naquele ano foi Deserto Vermelho), O Evangelho Segundo São Mateus ainda é um filme moderno, com sua combinação de estilos – transitando entre o Neorrealismo italiano e a Nouvelle Vague francesa, sem falar no diálogo com Carl Theodor Dryer e Ingmar Bergman – e extremamente atual em sua mensagem humanista.

 

Imagem: capa Revista IHU On-Line N° 504

 

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