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20 Agosto 2021

 

Iconografia da História

Escritora Carolina Maria de Jesus com seus filhos.

Escritora Carolina Maria de Jesus: a voz que ultrapassa o quarto de despejo

Reconhecida internacionalmente por sua obra “Quarto de despejo”, Carolina Maria de Jesus (1914-1977) é conhecida no Brasil como a mulher negra, pobre e favelada que conseguiu realizar o sonho de tornar-se escritora, tendo sua obra traduzida em 13 idiomas e vendido mais de 100 mil exemplares. Migrante de Sacramento, Minas Gerais, mãe solo, catadora de papel e moradora da primeira favela de São Paulo, a Canindé, Carolina escrevia a sua história e a de outros moradores da favela em cadernos que recolhia no lixo. Eram relatos sobre a miséria, a fome, o preconceito de quem tem a voz silenciada diariamente e a dignidade subtraída a cada vez que precisa retirar do lixo o seu sustento.

Semianalfabeta, a autora dizia que escrevia quando não tinha o que comer e que denominava a favela de quarto de despejo porque era ali que os pobres eram jogados, como trastes velhos. Ela sonhava viver em uma casa “residível” e acreditava que era por meio dos livros que se adquiriam boas maneiras e se formava o caráter. Descoberta pelo jovem repórter Audálio Dantas, Carolina Maria de Jesus teve seu primeiro livro publicado em 1960 e rapidamente alcançou o sucesso, saindo da favela e ganhando o mundo. Esse sucesso, porém, não apagou o preconceito social e racial que marcaram toda a sua vida e a autora morreu pobre e esquecida em um sítio na periferia de São Paulo. Dona de uma história marcada por muita luta, durante a vida Carolina Maria de Jesus lutou pela sua sobrevivência e a de seus filhos, enfrentou a fome, a miséria, o preconceito racial e social e batalhou pela realização de seu sonho. Hoje, uma outra luta ainda marca sua história: romper o preconceito em torno de sua cor, sua origem, seu nível de instrução, e ter seu nome de fato reconhecido dentro de nosso cânone literário.

Texto: Adriana de Paula / Joel Paviotti

 

Juremir Machado da Silva

Face a Face

Liquidação

E assim, como um resto de mágoa, nós chegamos ao fim. O Palácio Capanema, no centro do Rio de Janeiro, pérola do modernismo de Le Corbusier, com o dedo de gente Affonso Eduardo Reidy, Lúcio Costa e até do então estagiário Oscar Niemayer, com azulejos de Candido Portinari, esculturas de Bruno Giorgi, pinturas de Alberto Guignard e jardins de Burle Marx, está à venda. O gênio da economia Paulo Guedes, o posto Ipiranga sem combustível, quer fazer um dinheirinho vendendo o Louvre. O Palácio Capanema, sede do ministério da Educação, produto da Era Vargas, viu muito intelectual e artistas no seu interior. Quando, porém, para lembrar tirada célebre, ao ouvir falar em cultura, alguém saca o seu revólver, já se foi o boi com a corda e a obra de arte.

E assim, sem um resto de lágrima, nós chegamos ao fim. Na liquidação geral, o que resta da CLT vai para o lixo. A MP 1.405, que se move no Senado, deveria apenas o programa emergencial de suspensão de contratos ou redução de jornada e salários, mas ganhou “jabutis”, que são aquelas vacas colocadas em cima de árvores. A estrovenga já passou na Câmara dos Deputados, tendo como relator Christino Áureo (PP-RJ). O resumo da coisa ficou assim: “Cria uma modalidade de trabalho sem direito a férias, 13º salário e FGTS; cria outra modalidade de trabalho sem carteira assinada (Requip) e sem direitos trabalhistas e previdenciários; trabalhador recebe só uma bolsa e vale-transporte; cria programa de incentivo ao primeiro emprego (Priore) para jovens e de estímulo à contratação de maiores de 55 anos desempregados há mais de 12 meses: empregado recebe um bônus no salário, mas seu FGTS é menor”. Tudo isso? Só isso? Tem muito mais.

Eis o restante: “Reduz o pagamento de horas extras para algumas categorias profissionais, como bancários e operadores de telemarketing; aumenta o limite da jornada de trabalho de mineiros; restringe o acesso à Justiça gratuita em geral, não apenas na esfera trabalhista; proíbe juízes de anular pontos de acordos extrajudiciais firmados entre empresas e empregados; dificulta a fiscalização trabalhista, inclusive para casos de trabalho análogo ao escravo”. Para quando a revogação da Lei Áurea? Gera mais empregos? Possivelmente. Como denominar esses empregos? Um termo possível está no mercado: precários. Tudo é possível quando nenhum limite se impõe. É claro que tudo isso é apresentado como puro progresso, contra o anacronismo de leis atrasadas (a CLT, na verdade, sofreu centenas de atualizações) e pelo bem dos trabalhadores mais necessitados.

É melhor ter do que não ter? Melhor mesmo é produzir o justo equilíbrio possível. Tem gente que vê em toda tragédia, com o nome de crise, a oportunidade de passar alguns jabutis criados em cativeiro. Quando amanhece, tem vaca no telhado. Aí, para tirar de lá, é uma operação sem fim. E assim, como num piscar de olhos, nós chegamos ao fim. Tudo à venda. Inclusive a Carris. Na grande liquidação até a democracia anda balançando. Se vacilar, em cadeia nacional, Roberto Jefferson acaba com ela. O homem se acha muito rápido no gatilho.

 

Moisés Mendes

O gestor gaúcho, pré-candidato dos tucanos para 2022, batendo boca com Alexandre Frota.

 

Faustino Teixeira

Uma sexta feira muito especial, quando celebramos Bernardo de Claraval (século XII), um dos místicos esponsais que mais me marcou na trajetória pessoal. Guardo duas lindas passagens de seus comentários do Cântico dos Cânticos. A primeira que fala da centralidade da EXPERIÊNCIA: “Hoje lemos no livro da experiência” (Sermão III do CC). É quando ele fala também do beijo espiritual da boca de Cristo. Como diz Bernard McGinn, esse apelo de Bernardo em favor da experiência pessoal provoca muita hesitação naqueles que não são místicos, ou que estão encerrados em perspectiva meramente acadêmica.

A outra passagem é a que fala da visita do Verbo no coração de cada um de nós, no Sermão 74. O Verbo não veio de fora, mas estava no mais íntimo interior: e é nele que vivemos, movemos e somos (At 17,28). Esse Verbo só consegue ser captado, diz Bernardo, com o movimento do coração. Foi com ele que aprendi um traço essencial da mística, que é perceber que a visão mais bonita de Deus é a do Amante, ou seja, a visão mais interior.

Viva Bernardo de Claraval!

 

Gelso Job

É um vexame jamais visto no jornalismo brasileiro. Uma organização de mídia ter de desmentir o comentarista da própria emissora, que espalha mentiras.

A CNN disse no ar o que todo mundo sabe. Que Alexandre Garcia mentiu ao afirmar que jovens não precisam se vacinar.

O sujeito já mentiu muitas outras vezes e deve continuar mentindo, porque é negacionista e parte do esquema bolsonarista para desacreditar a ciência e induzir as pessoas à desinformação.

A CNN continuará desmentindo seu próprio funcionário de extrema direita toda vez que ele mentir?

Sempre lembrando que Alexandre Garcia, porta-voz da ditadura, apresentou programas na Globo durante três décadas, inclusive o Jornal Nacional.

Garcia só foi mandado embora porque era bolsonarista em demasia, e a Globo é a maior inimiga de Bolsonaro. Se fosse mais contido, como outros bolsonaristas do grupo, estaria lá até hoje.