Mais incêndios e inundações: a Terra está em “código vermelho”

Foto: Maique Martens | Flickr CC

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

11 Agosto 2021

 

Inundações repentinas e muito violentas, incêndios devastadores, ondas de calor. E, mais, geleiras que derretem no Ártico, mares que sobem e inundam as costas, oceanos que estão cada vez mais ácidos. Os cientistas do IPCC publicaram ontem o Sexto Relatório sobre Mudanças Climáticas. Desde 1990, o órgão intergovernamental das Nações Unidas mede a febre da Terra, sintetizando o que há de melhor nas pesquisas internacionais e nos alerta sobre nossa corrida para a catástrofe. Porém, pela primeira vez, aparecem termos como "inevitáveis" ou "irreversíveis". E o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, fala em "código vermelho" para a Terra.

A reportagem é de Sara Gandolfi, publicada por Corriere della Sera, 10-08-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

O que acontece? O fatídico limite de + 1,5° de aquecimento da superfície da Terra, em comparação com os níveis pré-industriais, será alcançado nas próximas duas décadas, provavelmente muito antes.

Já estamos em + 1,1°, portanto "inevitável" chegar naquele limite a menos que procedamos com "reduções imediatas, rápidas e em grande escala" das emissões que alteram o clima, das quais não há sinal algum até agora. Caso contrário, o pior pode realmente acontecer: o IPCC prevê cinco cenários, até + 5° de febre. Por outro lado, um aquecimento tão rápido não se registrava há pelo menos 2.000 anos, temperaturas tão elevadas há 6.500 anos - e o Ártico com suas geleiras é o que mais sofre - oceanos tão ácidos há dois milhões de anos. As enchentes mais intensas e frequentes já afetam 90% das regiões do mundo. Como a seca.

A origem humana dessas catástrofes, agora evidente também na Europa, é "incontestável".

“Infelizmente, o atual nível de aquecimento, criado pelo homem, permanecerá por muito tempo, a menos que sejam encontradas soluções tecnológicas para absorver os gases de efeito estufa que já emitimos, eliminando ou limitando as concentrações já presentes na atmosfera - explica a italiana Claudia Tebaldi, climatologista que há anos trabalha nos Estados Unidos e é coautora do décimo segundo capítulo do relatório.

Alguns fenômenos continuarão a piorar mesmo se reduzirmos as emissões imediatamente, como aumento do nível do mar ou derretimento das geleiras, porque envolvem processos extremamente lentos - décadas ou centenas de anos - mas muitos outros fenômenos se atenuariam, como a probabilidade de eventos extremos e devastadores: ondas de calor, inundações, incêndios ...”.

Falta pouco mesmo para a cúpula do clima, ou COP26, de Glasgow. Já adiada por um ano, devido à pandemia, em novembro reunirá - salvo novas emergências – os chefes de Estado e de governo de todo o mundo. Se a União Europeia e os Estados Unidos já apresentaram seus planos para o clima, muitos outros países ainda não o fizeram. E as posições da China e da Índia, entre os principais poluidores do mundo hoje, permanecem ambíguas. “Nós, cientistas, não nos desequilibramos politicamente, não podemos fazer isso. Obviamente, a esperança é que, tendo apresentado uma realidade tão clara e sólida da situação, aqueles que tomarão as decisões em Glasgow terão diante de si uma panorâmica bastante clara dos vários cenários que se apresentam - continua Tebaldi -. “Sempre repito que mesmo que os limites globais, como o teto de 1,5°, sejam difíceis de atingir, qualquer esforço é melhor do que nada”.

Uma coisa é certa. A era dos combustíveis fósseis, para a ciência, deve acabar. "Os gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono e o metano agem como um cobertor na Terra, aumentando as temperaturas e levando a um grande número de mudanças no sistema climático - explica ao Corriere Alexander Ruane, coautor do relatório e cientista do Instituto NASA Goddard para estudos espaciais. “Os aerossóis associados à poluição do ar também afetam o clima, alguns atuam para refletir a luz solar (resfriando o planeta), outros levam ao aumento do aquecimento. De modo geral, a combustão contínua de combustíveis fósseis aumentará o aquecimento e a redução dessas emissões, ao contrário, ajudará a estabilizar o clima do planeta”.

 

Leia mais