Fraternidade e multilateralismo para responder ao desafio climático. O Arcebispo Gallagher apresenta o encontro “Faith and Science Together”

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18 Junho 2021

 

Ciência e fé juntas para sublinhar a necessidade de um compromisso multilateral na defesa da criação em vista da conferência COP26 em Glasgow. É este o sentido do encontro “Faith and Science Together” promovido pelas Embaixadas do Reino Unido e da Itália junto da Santa Sé, que será realizado no próximo dia 4 de outubro, no Vaticano, em Roma e em modalidade online. Para apresentar a iniciativa, estiveram presentes esta manhã na Sala de Imprensa da Santa Sé, o Arcebispo Paul Richard Gallagher, Secretário para as Relações com os Estados, e os embaixadores Sally Jane Axworthy e Pietro Sebastiani.

A reportagem é publicada por L’Osservatore Romano, 17-06-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

“O sentido de urgência sobre estes problemas está aumentando: muitas crises, econômicas, sociais e alimentares, estão nos atingindo. Todas juntas, como numa espécie de tempestade perfeita”, disse o arcebispo Gallagher, explicando o sentido da participação da Santa Sé no evento. “Este é o momento da responsabilidade” porque “somos convidados a repensar o mundo em que vivemos e o nosso estilo de vida”, esclareceu. “Como diz o Papa Francisco, tudo está conectado: ao enfrentar o desafio que as mudanças climáticas propõem para a humanidade, devemos inevitavelmente responder a todas as outras questões”.

Neste quadro, os líderes religiosos “têm uma contribuição particular a dar. A religião, por definição, é um tipo de visão integrada da vida, do mundo, da humanidade. Não se pode ter uma religião parcial. A religião abarca todos os problemas que dizem respeito à existência humana, e parte essencial deles é o lugar onde vivemos, nossa casa comum”.

Por isso, é necessária uma abordagem global baseada no respeito pela pessoa humana: “As mudanças climáticas não respeitam fronteiras e afetam pessoas que não têm responsabilidade imediata por elas. É uma grande oportunidade de trabalharmos juntos, por uma abordagem multilateral. Trabalhar juntos é positivo e produz resultados”. Além disso, frisou o prelado, “o recente desenvolvimento do ensinamento do Papa sobre a fraternidade humana mostra a abordagem necessária, que não pode ser sectária, mas deve abraçar toda a humanidade com base no respeito mútuo e no diálogo aberto”. Como afirma o Pontífice, é necessário "renegociar a nossa relação com a natureza e fazê-lo em espírito de fraternidade no respeito pela justiça", combatendo "a cultura da indiferença e do desperdício que caracteriza de muitas maneiras a nossa sociedade hoje".

Este deve ser o espírito do encontro de outubro próximo: “Os líderes religiosos devem ajudar a elevar as ambições dos líderes políticos para ver os problemas e tomar decisões corajosas”. A conferência de Glasgow em novembro será "um momento chave na história da humanidade".

Essa linha também foi apoiada pela Embaixadora Axworthy, que lembrou a urgência de soluções políticas globais para lidar com os efeitos do aquecimento global. “A temperatura no mundo já subiu mais de um grau e poderia aumentar mais de dois graus no futuro”, lembrou a representante diplomática britânica. "As pessoas que mais sofrerão com essas mudanças serão aquelas que vivem em países menos desenvolvidos, ou seja, aqueles que fizeram menos para causá-las." Em particular, "os povos indígenas e aqueles que residem em pequenas ilhas ou em países em desenvolvimento". Esta é, portanto, "uma crise que interessa toda a humanidade" de acordo com Axworthy, "um problema moral".

Neste contexto, quatro objetivos são fundamentais: os países mais desenvolvidos devem estabelecer objetivos para cortar as suas emissões nocivas a curto e médio prazo; a comunidade internacional deve se adaptar às mudanças climáticas, ajudando as nações mais vulneráveis com a construção de infraestrutura e agriculturas resilientes; as economias mais desenvolvidas devem arrecadar pelo menos US $ 100 bilhões de financiamentos todos os anos para ajudas; por fim, é urgente fortalecer o acordo de Paris firmado em 2015.

O Embaixador Sebastiani destacou que o encontro de outubro “parte do desejo de aprofundar, desenvolver e colocar em discussão a sensibilidade para as questões ambientais que liga as várias religiões e tradições espirituais e oferecer, portanto, um impulso inédito para a COP26, ano em que Itália e Grã-Bretanha também ocupam, respectivamente, a presidência do G20 e do G7”.

Na ocasião, explicou, “os líderes religiosos poderão ilustrar o dever comum de enfrentar as mudanças climáticas, encorajando os governos nacionais a aumentarem seu empenho e ambição para alcançar os objetivos do Acordo de Paris”. E "eles vão mostrar como as religiões e as crenças estão abrindo o caminho, tornando mais respeitosos suas sedes, organizações e projetos sobre questões ambientais, vão encorajar os fiéis a contribuir pessoalmente para a proteção do meio ambiente e, em particular, para a desaceleração do aumento da temperatura global do planeta".

“O programa prevê, portanto, uma parte pela manhã que acontecerá no Vaticano”, explicou o embaixador italiano junto da Santa Sé. “Será lido e assinado um apelo conjunto à Cop26 e está prevista a participação de dois jovens que apresentarão os resultados da Youth Cop26 de Milão. O dia continuará à tarde no Palazzo Borromeo, sede da Embaixada da Itália junto à Santa Sé, onde os participantes aprofundarão vários temas, em particular como as religiões podem motivar e mobilizar concretamente os homens e mulheres de fé, além da ilustração de muitos programas que já estão em andamento em várias partes do mundo e que aplicam elevados valores éticos e espirituais na ação de preservar e cuidar da criação”

Sebastiani, destacando que “a mudança climática também é uma questão moral” e de “justiça social”, também apresentou os eventos preparatórios sediados pela Itália para a Conferência.

 

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