Joe Biden: “O papa Francisco tem sido muito generoso com a minha família”

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21 Dezembro 2020

O presidente-eleito dos EUA conversou com Stephen Colbert sobre um encontro pessoal que teve com o atual pontífice.

A reportagem é de Carol Kuruvilla, publicada por HuffPost, 18-12-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O presidente-eleito Joe Biden – que está se preparando para ser o segundo presidente católico dos EUA – reflete sobre sua relação de muitos anos com o papa Francisco.

Biden falou no “The Late Show” a Stephen Colbert, que também é católico, sobre um momento em que o Francisco deixou de lado seu “chapéu” de pontífice para assumir o papel de pastor para Biden e sua família.

Ele disse que durante a visita de Francisco aos EUA em 2015, a qual ocorrera meses depois da morte de Beau Biden, filho de Joe, o Papa tirou um tempo para conversar com o então vice-presidente e 15 membros da sua extensa família.

“O Papa tem sido incrivelmente generoso com nossa família”, falou Biden a Colbert, na entrevista que foi ao ar na sexta-feira.

“Ele pediu para se encontrar com minha família no hangar do aeroporto quando ele estava saindo”, na Filadélfia, contou Biden. “Ele não falou apenas sobre Beau, ele falou em detalhes sobre Beau, sobre quem ele era e sobre os valores da família, perdão e decência”.

“Eu sou um grande admirador de Sua Santidade. Eu realmente sou”, acrescentou Biden.

Biden sofreu uma feroz reação de alguns de seus colegas católicos por suas visões políticas, especialmente seu apoio ao direito ao aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo. No último ano, enquanto Biden estava em campanha na Carolina do Sul, um padre negou a ele a comunhão.

“Isso cria confusão com os fiéis sobre o que a Igreja ensina verdadeiramente sobre essas questões”, falou no mês passado o arcebispo José Gomez, presidente da Conferência dos Bispos dos EUA

Católicos progressistas esperam que Biden na Casa Branca mostrará um lado diferente de sua religião – alguém que foca no cuidado aos pobres, migrantes e meio ambiente. Francisco já alertou o perigo sobre os católicos que se tornaram “obsessivos” com questões como aborto, casamento gay e contracepção, e urge a seu rebanho para que foquem no serviço aos pobres e oprimidos.

O arcebispo Wilton Gregory, de Washington D.C., quem Francisco recentemente elevou a cardeal, sinalizou que ele não negará a comunhão a Biden. O presidente-eleito frequenta a igreja regularmente.

Biden falou a Colbert ter enviado ao Papa um livro assinado que foi entregue por Gregory, que esteve em Roma.

O primeiro presidente estadunidense, John F. Kennedy, teve que lutar contra o preconceito contra sua religião durante sua campanha presidencial de 1960, particularmente a noção de que não se podia confiar nos católicos como cidadãos estadunidenses leais porque deviam fidelidade ao Papa. Mesmo após sua eleição, Kennedy teve que navegar cuidadosamente em seu relacionamento com o então papa Paulo VI.

Sessenta anos depois, os católicos alcançaram cargos de poder político no Congresso, como governadores de estados, e na Suprema Corte (seis dos nove juízes são católicos praticantes).

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