Cai a natalidade e a fecundidade nos EUA depois da pandemia da Covid-19

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08 Dezembro 2020

"Novas gerações já apresentam uma tendência de adotar famílias menores. E esta realidade foi agravada pela pandemia da covid-19", escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e pesquisador titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – ENCE/IBGE, em artigo publicado por EcoDebate, 07-12-2020.

Eis o artigo.

“Diferentemente das pragas da idade das trevas ou das doenças contemporâneas que ainda não compreendemos, a praga moderna da superpopulação é solúvel pelos meios que descobrimos e com os recursos que possuímos. O que falta não é conhecimento suficiente da solução, mas consciência universal da gravidade do problema e educação dos bilhões que são suas vítimas” - Martin Luther King (1966)

A taxa de natalidade (filhos pela população total) e a taxa de fecundidade (filhos por mulher) estão caindo nos EUA há bastante tempo, mas com a pandemia do novo coronavírus a trajetória de queda parece ser mais acentuada, embora ainda não haja dados definitivos.

O número de crianças nascidas vivas nos EUA bateu o recorde em 2007 e já apresentava tendência de redução. Dados do Center for Disease Control and Prevention (CDC) mostram que o número de nascidos vivos atingiu um pico em 1990, com 4,16 milhões de nascimentos, teve um declínio nos anos 1990 e voltou a subir na primeira década do século XXI, quando chegou a 4,06 milhões em 2000 e atingiu o zênite de 4,32 milhões de nascimentos em 2007. O gráfico abaixo mostra que o número de nascimentos ficou abaixo de 4 milhões a partir de 2010, atingindo 3,79 milhões em 2018.

Crescimento da economia, da população e da renda per capita mundial: 1950-2019.
(Fonte: Angus Maddison, Historical Statistics of the World Economy e FMI)

A taxa geral de fecundidade, que estava em torno de 90 por mil em 1970, caiu para 59,1 por mil em 2018 e os dados preliminares mostram que a taxa continua caindo em 2019 e chegou a 58 por mil no primeiro quadrimestre de 2020.

O Instituto PEW classifica as diferentes gerações da seguinte maneira: Geração silêncio (1928-45), Geração Baby boomers (1946-1964), Geração X (1965-80) e Geração do milênio ou Y ou Millennials (1981-96). Enquanto a “Geração Silêncio” era formada por filhos de famílias que passaram pela Grande Depressão e pela Segunda Guerra, valorizavam demais o emprego, o comportamento obediente e a liderança autoritária e tiveram muitos filhos e formaram a “Geração baby boomers”; a “Geração do milênio” é contemporânea das tecnologias digitais, do emprego flexível, do alto padrão de consumo e da busca individual pelo prazer. A “Geração do milênio” não está interessada em formar famílias grandes e há uma alta parcela de pessoas que prefere não ter filhos (childlessness).

Portanto, as novas gerações já apresentam uma tendência de adotar famílias menores. E esta realidade foi agravada pela pandemia da covid-19. Matéria de Eliana Dockterman, na revista Time (15/10/2020), mostra que muitas americanas jovens estão adiando a gravidez e outras estão, inclusive, desistindo de ter filhos. O resultado é que no ano de 2021 deve nascer menos 500 mil bebês, fazendo o número de nascidos vivos cair para 3,3 milhões de crianças no ano que vem, número equivalente àqueles da década de 1970 quando a população dos EUA era muito menor.

Natalidade e fecundidade nos EUA. (Fonte: NCHS/National Vital Statistics System)

Se o número de nascimentos anuais permanecer abaixo de 4 milhões e a esperança de vida ao nascer ficar próxima de 80 anos, então a população dos EUA tenderia a ficar em torno de 320 milhões de habitantes (4 milhões vezes 80 = 320 milhões). Mas o número real dependeria das tendências da imigração. Se o fluxo de imigrantes ficar acima de 1 milhão por ano, então é possível que a população dos EUA chegue a 400 milhões até o final do século XXI. Mas uma queda mais substancial da fecundidade geraria uma população menor.

Qualquer número entre 350 e 400 milhões de habitantes não é pouca gente. Os EUA são o segundo maior emissor de gases de efeito estufa (GEE) e possuem emissões per capita muito elevadas. Uma redução da fecundidade é uma boa notícia para o meio ambiente. Como mostrou o relatório do Fórum Econômico Mundial, de janeiro de 2020, a crise climática é o maior risco global da atualidade. O esforço para reduzir as emissões de CO2 deve ser geral, mas, sem dúvida, menos crianças significa menos emissões.

Como disse o grande naturalista David Attenborough: “Todos os nossos problemas ambientais se tornam mais fáceis de resolver com menos pessoas e mais difíceis e, em última instância, impossíveis de resolver com cada vez mais pessoas”.

 

Referências:

CDC, Births: Final Data for 2018, NVSS, Volume 68, Number 13, November 27, 2019. Disponível aqui.

ELIANA DOCKTERMAN. Women Are Deciding Not to Have Babies Because of the Pandemic in USA, Time, 15/10/2020. Disponível aqui.

 

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