“A pandemia deve ser uma oportunidade para repensar as formas de vida cristã”

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28 Abril 2020

Os bispos italianos deveriam usar esta contingência extraordinária para pensar em formas de vida cristã menos dependentes da rigidez das normas canônicas e mais atentas a todas as manifestações do Espírito, que, na base da vida de fé, circula onde quer e como quer, e é uma fonte que vai além da tradicional vida sacramental.

O comentário é de Vittorio Bellavite, coordenador nacional do Noi Siamo Chiesa, em nota publicada no sítio do movimento, 27-04-2020. Ele responde a dura nota de contestação da Conferência Episcopal Italiana - CEI - à Fase 2 implementada pelo governo italiano. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O impacto da pandemia na vida da Igreja pode ser visto, também e sobretudo, a partir de um ponto de vista diferente daqueles que sofrem unicamente pela impossibilidade das missas e de outras formas de culto.

Parece-me que a situação está facilitando amplamente a busca de formas diferentes de viver a própria . O uso das transmissões por computador são apenas um aspecto disso (totalmente insuficiente). Fora do circuito das formas habituais e repetitivas dos ritos religiosos, parece-me que estão sendo levantadas perguntas e respostas (embora parciais e em devir) sobre a vida cristã não apenas para quem vive fortemente a própria espiritualidade, mas também para muitas mulheres e homens em busca, que estão se fazendo interrogações de sentido. Isso, em particular, diante do sofrimento e da morte que a situação nos joga na cara nestas semanas.

A presença de tantos cristãos e do clero em ajudar os sofredores e em iniciativas de ajuda social, a própria presença solitária do Papa Francisco na Praça São Pedro no dia 27 de março e a Via Sacra na Sexta-Feira Santa foram momentos intensos de solidariedade e de abertura para a esperança cristã e humana. Para os fiéis, hoje é um momento de sofrimento, mas também de muita abertura para as raízes do nosso Evangelho.

Dito isso, parece-me que o texto divulgado na noite desse domingo pela Conferência Episcopal Italiana (CEI) de crítica dura ao governo deve ser contestado fortemente. Parece-me grotesco defender que esteja em curso uma espécie de ataque à Igreja, à sua liberdade, à sua autonomia, à sua liberdade de culto.

Parece-me apenas e simplesmente que, no fim, nas discussões sobre a Fase 2 [no combate ao coronavírus], prevaleceram razões de prudência entre os cientistas e o governo. Só isso. Parece-me que falar em decisões arbitrárias, pretendendo que a Igreja seja uma espécie de ilha separada e extraterritorial, é a expressão de uma autossuficiência presunçosa que não está nos fatos nem nos documentos eclesiais.

Na história da dialética entre Estado e Igreja fundada na soberania e na independência recíproca de que fala o artigo 7 da Constituição, esse me parece ser um dos pontos mais baixos. Os bispos deveriam usar esta contingência extraordinária para pensar em formas de vida cristã menos dependentes da rigidez das normas canônicas e mais atentas a todas as manifestações do Espírito, que, na base da vida de fé, circula onde quer e como quer, e é uma fonte que vai além da tradicional vida sacramental.

Por fim, não posso deixar de me perguntar se essa intervenção, tão impetuosa e pesada, não faz parte da ofensiva de toda a ala conservadora e pré-conciliar da Igreja para que se volte atrás. É a mesma que aprecia a exibição dos rosários nos comícios.

Roma, 27 de abril de 2020.

Vittorio Bellavite, coordenador nacional do Noi Siamo Chiesa

 

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