Espanha. Quem ganha é Iglesias

Pedro Sánchez e Pablo Iglesias. Foto: Twitter Unidas Podemos @ahorapodemos

Mais Lidos

  • Quando a Igreja perde seus ministros: notas teológico-pastorais sobre a desistência presbiteral. Artigo de Eliseu Wisniewski

    LER MAIS
  • Pesquisadores refletem sobre possíveis riscos e efeitos do El Niño em 2026 à luz das enchentes de 2024 e das ações realizadas pelo poder público nos últimos dois anos

    El Niño no RS: probabilidade de cheias é dobrada, mas há incerteza sobre a magnitude do fenômeno climático. Algumas análises

    LER MAIS
  • Liturgia do 12º domingo comum de 2026 (A). Comentário de Jairo del Agua

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

13 Novembro 2019

A Espanha tem um pré-governo, não um governo. O bipartidarismo desvaneceu-se. Um Congresso desunido nunca poderá unir um país. A opinião é do jornal Público, 13-12-2019, expressa em editorial.

Eis o texto.

O grande vencedor das eleições espanholas de domingo chama-se Pablo Iglesias. O pré-acordo de governo que o PSOE de Pedro Sánchez assinou esta terça-feira com a coligação Unidas Podemos de Pablo Iglesias vem dar razão a quem não tem parado de dizer que um entendimento político da esquerda espanhola era uma oportunidade histórica, agora convertida em necessidade histórica.

Iglesias está prestes a conseguir o que não conseguiu em Abril: uma coligação com o PSOE e a vice-presidência do Governo espanhol. E Sánchez viu-se forçado a conceder à Unidas Podemos o que evitou até às últimas consequências nos últimos sete meses. Os dois eram os menos interessados numa terceira eleição no mesmo ano. Quer o PSOE, quer a Unidas Podemos perderam votos nesta eleição e só se podem arrepender não terem chegado antes a um acordo que viabilizasse um governo e travasse a tempo e horas a ascensão da extrema-direita. Uma terceira eleição só seria útil ao Vox e, eventualmente, a um PP mais extremado.

O abraço de ambos remete-nos para um simbolismo sobre o qual as incertezas são maiores do que as certezas. Este acordo é um mal menor para quem o assinou, agora que ambos perceberam o erro que foi terem subjugado o interesse público ao tacticismo da política e que o eleitorado os penalizou por isso. Ambos, à sua maneira, deixaram-se deslumbrar. Sánchez recusou negociar com Iglesias; estava convencido de que iria reforçar a sua bancada. Pagou caro pela imprudência e por uma campanha desastrosa, com declarações que punham em causa a independência da Justiça, a propósito da extradição de Puigdemont, num contexto de exaltação nacionalista com a trasladação de Franco e a revolta nas ruas da Catalunha.

Leia mais