Chile não está em Guerra: declaração de teólogos e teólogas

Foto: Carlos Figueroa | Wikicommons

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24 Outubro 2019

'O bem-estar é obra da justiça' (Isaías, 32, 17) e não obra do mero crescimento econômico em benefício de uns poucos", afirmam mais de 70 teólogos em declaração conjunta sobre os protestos no Chile.

"O Chile não está em guerra, um Chile injusto e abusivo morre e o novo povo já nasce. Bem-aventurados os que lutam por essa justiça", afirma a declaração assinada por teólogos e teólogas, publicada por Reflexión y Liberación, 23-10-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Eis a declaração.

Somos teólogos e teólogas que desde nossas diversas denominações cristãs, queremos contribuir para o diálogo social para uma nova convivência que reúna justiça e equidade aos habitantes do Chile.

Exigimos de nossas autoridades que detenham a militarização das ruas, que não criminalizem nem reprimam o protesto legítimo e pacífico, que escutem com atenção o mal-estar do país e se ponham a seu serviço para dar sustentação às demandas largamente desatendidas.

Denunciamos as violações aos Direitos Humanos, que as Forças Armadas, Carabineros e outras forças policiais do Estado estão cometendo sob o olhar indolente das autoridades.

Sonhamos com um novo país onde seus habitantes possam ser soberanos de suas vidas, onde construiremos uma convivência orientada à felicidade e a expansão livre de todas as dimensões da vida.

Queremos nos somar ao necessário debate nacional, com criatividade, imaginação e respeito a fim de deter a precarização da vida e a degradação do socioambiental. Sonhamos com um país que desenvolva sua atenção à saúde e à educação pública, que construa cidades democráticas e transportes dignos e eficientes, acessíveis a todos os habitantes; que trate com dignidade e justiça as trabalhadoras e aos trabalhadores tanto em suas condições trabalhistas, como em suas pensões com base em um sistema universal e solidário.

Sonhamos com uma sociedade que cresça em integração, em boas relações sociais entre todos seus membros, com capacidade de nos cuidarmos e respeitarmos mutuamente, que trate com especial respeito e cuidado à infância e a nosso planeta.

Somos teólogas e teólogos conscientes que a religião e as igrejas, em especial suas hierarquias, não estão à altura dos desafios que isso implica. Porém também sabemos que em nossas tradições religiosas existem sementes de transformação social que devemos nutrir: “O bem-estar é obra da justiça” (Isaías, 32, 17) e não obra do mero crescimento econômico em benefício de alguns poucos.

Convidamos a todas as religiões, a todas as igrejas e a todas as tradições espirituais para buscar nelas as mais belas sementes de emancipação, paz e liberdade para colocá-las ao serviço de uma nova sociedade, baseada no respeito, na justiça e no reconhecimento das necessidades dos mais vulneráveis.

Chamamos aos e às intelectuais, aos e às membros da academia (universidades, institutos, escolas) para criar e utilizar os espaços de reflexão e propostas em convergência com o que nossa sociedade demanda nas ruas. Chile não está em guerra, um Chile injusto e abusivo morre e o novo povo já nasce. Bem-aventurados os que lutam por essa justiça.

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