Cardeal desautoriza Steve Bannon por sua “escola de gladiadores”

Steve Bannon (Fonte: Flickr)

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10 Mai 2019

Veio para a Europa montar uma “escola de gladiadores” da extrema direita, mas não encontra apoios de lado algum. O último a abandonar Steve Bannon, ex-estrategista-chefe de Donald Trump, foi o ex-Observador Permanente da Santa Sé na ONU, cardeal Renato Raffaele Martino, que decidiu deixar a presidência honorífica do Instituto de Bannon, por sua questionável politização da doutrina e instituições da Igreja.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 09-5-2019. A tradução é do Cepat.

O motivo da decepção de Martino em relação a Bannon está no aluguel, por parte deste último, do mosteiro cartuxo de Trisulti, na localidade italiana de Collepardo, a uns cem quilômetros ao sul de Roma. É um mosteiro do século XII, pelo qual vem pagando, desde 2018, 100.000 euros de aluguel por mês. Nele, Bannon pretende montar o que chama de Academia do Ocidente Judeu-Cristão, para formar futuros líderes políticos e sociais, na perspectiva do ultracatolicismo. E isso com a colaboração de sua mão direita em Roma, o ex-assessor britânico no Parlamento Europeu, Benjamin Harnwell, e o think tank que dirige este, o Instituto Dignitatis Humanae (DHI), que reúne destacados membros da ‘oposição’ ao Papa Francisco, como o cardeal Raymond Burke.

Embora Martino tenha atuado como presidente honorário do DHI, preocupa-se com a deriva extremista que o projeto de Bannon e Harnwell está assumindo. Ao menos é isso que aparece em uma carta que enviou a Harnwell, em fins de janeiro, vazada por Politico. Nela, o cardeal comunica ao diretor do DHI sua inquietação com a possibilidade de que se introduza “distorções ou modificações” no plano original para o mosteiro, que era o de criar um centro de inspiração católica, mas de caráter apolítico.

“Recomendo que cuide para que o mosteiro se torne um lugar de culto e encontro aberto a todos”, escreveu Martino na carta publicada por Politico. “Espero que você e o DHI tenham êxito em realizar o projeto sem nenhuma distorção, nem modificação... que deformem os propósitos para os quais você tanto tem se dedicado”, continuou o purpurado, antes de rogar para que Harnwell e os responsáveis pela Academia cuidem para que o mosteiro seja lugar “onde ser respeite a doutrina da Igreja”.

Nessa advertência, está contido o pedido para que Harnwell e Bannon respeitem a autoridade da Igreja, onde se sente a força completa da repreensão de Martino. Bannon, por exemplo, não se cansa de criticar o Papa Francisco, chegando certa vez a qualificá-lo como “o inimigo”. Contudo, tal tipo de animosidade para com o Pontífice não vale para Martino, que adverte aos políticos conservadores que, “como católicos, temos que atuar sempre dentro da Igreja, sob a condução do Papa, de cuja doutrina não devemos nos distanciar jamais”, mas, ao contrário, sempre lhe honrar com “devoção filial”.

Não é só Martino que se queixa da deriva extremista de Harnwell e Bannon. Como recorda a página web The Intelligencer, até mesmo os vizinhos de Collepardo se manifestaram em protesto pela presença dos conservadores em seu povoado. Não apenas isso, pois até os partidos de extrema direita alemão e francês, Alternativa para Alemanha e Frente Nacional, querem conversar com Harnwell e Bannon, porque, em sua avaliação, os dois não entendem a política europeia. Nem sequer a Liga italiana de Matteo Salvini quer colaborar com o DHI, afirmando que Bannon “não está no radar”, já que “parece que busca dinheiro”, mais que mudar a política.

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