Intensifica-se a guerra entre Constantinopla e Moscou, com acusações de mentiras e subornos

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05 Outubro 2018

As Igrejas ortodoxas de Constantinopla e de Moscou estão em guerra pela intenção da primeira em conferir independência à Igreja de Kiev. Isto é o que se destaca da conversa que Bartolomeu de Constantinopla e Kirill de Moscou tiveram, no último dia 31 de agosto, na qual o Patriarca Ecumênico chegou a acusar o Patriarca russo de difundir “mentiras” e este de insinuar que Bartolomeu aceitou subornos de ucranianos “cismáticos” e “ilegítimos”.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 04-10-2018. A tradução é do Cepat.

“Os ucranianos não se sentem cômodos sob o controle da Rússia e querem liberdade eclesiástica plena, do mesmo modo como possuem uma independência política”, explicou Bartolomeu a Kirill e sua delegação, de acordo com a transcrição da conversa publicada pelo sítio orthodoxia.info. “Por isso, vieram [os ucranianos] a sua Igreja Mãe, que considera sua reivindicação justa e, portanto, atuará de acordo com a decisão do Santo Sínodo, que é irreversível”, continuou o Patriarca Ecumênico.

Em sua resposta a esta defesa do Patriarca Bartolomeu em conceder o “tomos” de autocefalia à Igreja ucraniana, o Patriarca Kirill afirmou que para a Igreja russa a própria ideia de “uma nação ucraniana separada” foi “desenvolvida no século XIX pelos ‘uniatas’”, um termo russo pejorativo pelos católicos gregos, que buscavam se “expandir no território e se separar do Czar”. E mais, Kirill sustentou que o atual governo ucraniano “tomou o poder com um golpe de estado no ‘Euromaidán’” – a onda de manifestações e distúrbios que açoitou a Ucrânia em 2013 – “ e agora reivindicam a autocefalia para fortalecer sua autoridade, já que tem o poder de forma ilegítima”. “O povo está a ponto de derrubá-los e desalojá-los e, portanto, buscam o apoio e o prestígio do Patriarcado Ecumênico”, sentenciou Kirill.

Os argumentos teológicos e políticos em separados, talvez os pontos mais fortes da conversa entre os dois hierarcas, vieram quando Bartolomeu jogou na cara de Kirill que já não pode viajar livremente na Ucrânia por receios quanto a sua segurança, ou quando o Patriarca Ecumênico lamentou que as autoridades russas “estão fazendo vista grossa à primazia do Patriarca Ecumênico, com a finalidade de minar a Igreja Mãe de Constantinopla”.

O Patriarca Ecumênico também enfrentou o “ministro do Exterior” do Patriarca Kirill também presente na reunião, o Metropolita Hilarión, que acusou Bartolomeu de receber subornos do presidente ucraniano, Petró Poroshenko.

“Pergunto-lhe diretamente: você pode comprovar isso?”, interrogou Bartolomeu a Hilarión. “Se não pode provar, está cometendo uma injustiça com a Igreja Mãe e, consequentemente, será amaldiçoado por ela”, advertiu, acrescentando que “enganar os outros conscientemente, por meio de mentiras, não tem perdão”. Quando o Patriarca Kirill interveio para pedir a Bartolomeu que tratasse Hilarión com maior suavidade, o Patriarca Ecumênico permaneceu em suas reprovações. “Esta não é a primeira vez que nosso irmão [Hilarión] fez isto: sempre é agressivo e abriga sentimentos de ódio para com a Igreja Mãe de Constantinopla”, admoestou Bartolomeu, lamentando também que o Metropolita “está causando dano”.

Kirill e Bartolomeu (Fonte: Religión Digital)

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