Oposição promete parar o Congresso até renúncia ou impeachment de Temer

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19 Mai 2017

Legendas de oposição criaram nesta quinta-feira (18) o comitê Pró-Democracia para coordenar as ações contra o governo. Temer promete resistir e tentar dar andamento às reformas da Previdência e trabalhista.

A reportagem é de Leonel Rocha e publicada por Congresso em Foco, 18-05-2017.

Partidos de oposição e parlamentares de legendas governistas que discordam do apoio ao governo decidiram paralisar qualquer atividade no Congresso a partir desta sexta-feira até que o presidente Michel Temer renuncie ao cargo ou seja aberto o processo de impeachment pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). PT, PDT, PSol, Rede, PCdoB e parte de siglas como o PSB e PTB prometem utilizar o regimento interno para barrar o o funcionamento de omissões e a abertura de sessões plenárias para discutir ou votar qualquer tema.

As legendas de oposição criaram nesta quinta-feira (18) o comitê Pró-Democracia para coordenar as ações contra o governo e a favor da aceitação do pedido de impeachment impetrado por vários parlamentares. O primeiro pedido foi feio pelo líder da Rede, Alessandro Molon (RJ), ainda na noite de quarta-feira (17), logo depois da divulgação da informação de que o presidente Michel Temer teria se encontrado com o empresário Wesley Batista, dono o grupo JBS, e recomendou a continuação do pagamento de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha, preso pela Lava Jato, para evitar que sua delação premiada comprometesse Temer.

“Nós vamos impedir o funcionamento do Congresso, mesmo que para isto seja preciso quebrar até os microfones do plenário e das comissões”, disse o líder do PDT na Câmara, Werverton Rocha (MA). A oposição não tem número de deputados ou senadores suficientes para barrar o funcionamento das duas casas legislativas utilizando apenas os regimentos internos. Mas os parlamentares estão dispostos a fazer manifestações em vários locais das instalações do Congresso e parar os trabalhos.

Governo

O presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR), minimizou nesta quinta-feira os efeitos da crise política provocada pela revelação de que o presidente Michel Temer teria orientado o empresário Wesley Batista, dono do grupo JBS, a continuar pagando propina ao ex-deputado Eduardo Cunha, preso na Lava Jato, para evitar uma delação premiada do parlamentar cassado.

“Temos muito tempo pela frente até a próxima semana. Vamos continuar tocando as propostas de reformas para organizar a economia. Não vejo motivo para preocupação. Não tem nada a ver a conversa do presidente temer com Wesley Batista como a reforma trabalhista”, disse Jucá. “Vamos resistir a estas acusações”, concluiu o parlamentar.

Nem mesmo a suspensão da tramitação de projetos importantes, como o da reforma trabalhista, no Senado a pedido do relator da proposta, senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), assustou Jucá. Ele disse que o governo vai tentar evitar a paralisia de projetos e emendas, como a da reforma da Previdência, que está pronta para ser votada em dois turnos pelo plenário da Câmara.

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