Seca diminui nível do Rio Xingu na região da usina de Belo Monte

Imagem: Deutsche Welle/Flickr

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24 Novembro 2016

Pescadores dizem que muitas espécies desapareceram. Seca atinge trecho de 100 quilômetros do rio em quatro municípios do Pará.

Você navega pelo Rio Xingu e percebe que ele vai se afunilando. E quando se vê mais pedra e terra do que água, é o fim da viagem. A seca atinge principalmente a chamada Volta Grande do Xingu – um trecho de 100 quilômetros de rio que passa por quatro municípios do sudoeste do Pará. ”Corre o risco de bater em uma pedra, por mais que a pessoa seja experiente no rio, nunca se sabe”, avalia o piloto de barco Ricardo Lima.

A reportagem é publicada por G1/Jornal Nacional, 22-11-2016.

Pescadores dizem que muitas espécies desapareceram porque não alcançam as plantas para se alimentar. ”Todo peixe come ele. E agora? Agora tá fora d’água. Como você tá vendo, não tem água. Como é que o peixe vai chegar aqui agora?”, questiona o pescador Paulo Sérgio dos Santos.

A seca no Rio Xingu está relacionada a estiagem na Região Amazônica que vem ocorrendo há um ano, segundo meteorologistas. Esses mapas representam a estação chuvosa na Amazônia, quer dizer, os seis meses que são fundamentais pra abastecer os rios. De novembro de 2015 a abril de 2016, o que prevaleceu no mapa foi a cor marrom, que significa que o volume de chuvas esteve abaixo da média.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, nunca choveu tão pouco na Amazônia desde 2002. ”O Xingu só vai começar a chegar a uma cota normal a partir do mês de fevereiro, março, quando nós tivermos chuvas mais significativas”, observa José Raimundo Abreu, do Instituto Nacional de Meteorologia.

Na volta grande do Xingu fica a usina de Belo Monte, que desvia parte da água pra abastecer o reservatório da hidrelétrica.

Para a bióloga, a barragem da usina também contribui para a seca na região. “Pelo que a gente já viu em quase um ano do fechamento do rio é que essa vazão não é suficiente pra manter a fauna aquática e o ecossistema”, diz a bióloga Cristiane Carneiro.

Seu Waldomiro, que vive da pesca pra sustentar a mulher e cinco filhos, lamenta a transformação da paisagem. ”Não tem outra coisa mais triste do que isso, você não vê mais aquilo que você via todo dia”, diz o aposentado Waldomiro Carvalho.

A Norte Energia – responsável pela usina de Belo Monte – declarou que cumpre rigorosamente o que foi determinado na licença de operação expedida pelo Ibama - e que exames diários comprovam que não há alteração significativa na qualidade da água.

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