Governo da Bolívia emite decretos que enfraquecem cooperativas de mineiros

Foto: Enzo de Luca/ABI

Mais Lidos

  • Para a pesquisadora, o design das plataformas deixou de ser apenas uma escolha estética de interface e se tornou o principal ator tecnopolítico das Big Techs, moldando o comportamento dos usuários e impactando diretamente o debate democrático

    Economia da atenção: o design algorítmico a serviço da estetização da política. Entrevista especial com Anna Bentes

    LER MAIS
  • Após uma catástrofe, existem três caminhos, explica um dos criadores do termo resiliência: continuar como antes, votar em um ditador que promete segurança ou evoluir e renascer

    “Não se pode debater com fanáticos como Trump. Se você não pensa como ele, você é um idiota”. Entrevista com Boris Cyrulnik, neuropsiquiatra

    LER MAIS
  • Sobre a possibilidade de um golpe de Estado. Artigo de Jean Marc von der Weid

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Por: João Flores da Cunha | 06 Setembro 2016

O governo do presidente Evo Morales, na Bolívia, revogou concessões de exploração de minas, ordenou a reversão de concessões operadas por empresas privadas e obrigou a sindicalização dos mineiros. As decisões, que têm o efeito de reduzir o poder de cooperativas mineiras, foram tomadas através de emissão de decretos presidenciais.

As medidas são uma represália ao assassinato do vice-ministro de Interior do país, Rodolfo Illanes, ocorrido no dia 25-08-2016, e fazem parte de um conflito entre o governo e as cooperativas de mineiros, que se agravou ao longo de agosto. O governo também já havia detido nove mineiros acusados de envolvimento no crime. Outros cinco mineiros morreram no embate com a polícia que se seguiu ao homicídio.

Hoje, as cooperativas operam parte das concessões para exploração das minas e terceirizam parte delas para empresas privadas bolivianas e estrangeiras. O foco do atual conflito é a disposição do governo em não mais permitir que essas empresas explorem os recursos naturais do país, conforme alteração recente na lei de mineração boliviana. Isso vinha sendo combatido pelas cooperativas, e acabou com a aliança entre elas e o governo de Evo Morales.

Também foram revogadas concessões de minas que estão inativas. O decreto que obriga à sindicalização força aqueles que trabalham informalmente nas minas a se enquadrarem na Lei Geral do Trabalho do país – o que tira força das cooperativas.

Além dessas medidas, que atingem diretamente os mineiros cooperados, também fica proibido o uso de explosivos em qualquer tipo de manifestação social. Os mineiros utilizavam costumeiramente dinamite em seus protestos.

Adequação à Constituição

As decisões do governo encontram amparo na legislação do país. Conforme Katu Arkonada, pesquisador e analista do Centro de Estudos Aplicados aos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais – Ceadesc, em Cochabamba, a Constituição do país registra que “as áreas de exploração mineira outorgadas por contrato não podem ser transferidas, abarcadas e transmitidas por sucessão hereditária”.

Como nota ainda Arkonada, a Constituição boliviana afirma que “os recursos naturais são de propriedade do povo boliviano e serão administrados pelo Estado”. Assim, a terceirização para outras empresas é proibida no país.

Leia mais...

Bolívia. Dez perguntas e 10 respostas sobre o conflito com os “cooperativistas” mineiros

Bolívia prende nove mineiros após assassinato de vice-ministro

Vice-ministro boliviano sequestrado por mineiros é assassinado

Criticada no passado por estatizações, Bolívia arranca elogios por expansão e estabilidade

“A divisão imperial retorna com outras formas”. Entrevista com Evo Morales