Helena Kolody na oração inter-religiosa desta semana

Foto: Pixabay

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18 Novembro 2016

Neste espaço se entrelaçam poesia e mística. Por meio de orações de mestres espirituais de diferentes religiões, mergulhamos no Mistério que é a absoluta transcendência e a absoluta proximidade. Este serviço é uma iniciativa feita em parceria com o Prof. Dr. Faustino Teixeira, teólogo, professor e pesquisador do PPG em Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora - MG.

Canto místico


(Foto: Faustino Teixeira | Arquivo Pessoal)

Aqui estou, Senhor, no meio desta nave
Para cantar em teu louvor.
Minha voz é prisioneira da garganta:
Conhece a gama dos sons e não pode cantar.

Há vibrações sonoras em meus nervos.
Mas a voz ausentou-se de meu ser.

Teu mundo é uma ciclópica poesia
Que brilha no céu e brota no chão
E ruge e ri, e canta e chora.
Não encontro, porém, as palavras exatas
Dessa canção.

Se eu pudesse, ao menos,
Cantar a plenitude singela
De um momento feliz.

Dizer a inocência de uns olhos de criança,
Olhando serenos nos olhos da mãe...

A música das esferas
Sinto fremir, ouço vibrar
E não posso cantar...

Aqui estou, prisioneira de minha mudez,
Aflita em pranto, no silêncio grave
Da iluminada imensidão de tua nave.

Fonte: Helena Kolody. Sempre poesia. Curitiba: Imã Publicidade, 1994, p. 147


Helena Kolody (Foto: Literatura BR)

Helena Kolody (1912-2004): Foi uma poetisa e professora paranaense. Seu primeiro poema, A Lágrima, foi publicado quando tinha apenas 16 anos e seu primeiro livro, Paisagem Interior, foi publicado em 1941. Ao longo da vida publicou mais 22 obras, entre elas, Luz Infinita (1997), Sinfonia da Vida (1997), Poemas do Amor Impossível (2002) e, além destas, a obra póstuma Memórias de Nhá Mariquinha (2007). É considerada a "mãe dos haicais" (uma forma poética, desenvolvida no Japão, cuja principal característica é a concisão), no Brasil, por ter sido a primeira, no país, a usar a técnica de origem japonesa.