Donizete Galvão na oração inter-religiosa desta semana

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • “Permitir a instalação de um empreendimento com essa magnitude de demanda sem uma avaliação climática rigorosa significa aprofundar a vulnerabilidade territorial já existente”, afirma a advogada popular

    Data centers no RS e as consequências de sua implementação. Entrevista especial com Marina Dermmam

    LER MAIS
  • A ideologia da Palantir explicada por Varoufakis

    LER MAIS
  • Inteligência Artificial e o empobrecimento da Igreja como centro de dados. Artigo de Massimo Faggioli

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

21 Outubro 2016

Neste espaço se entrelaçam poesia e mística. Por meio de orações de mestres espirituais de diferentes religiões, mergulhamos no Mistério que é a absoluta transcendência e a absoluta proximidade. Este serviço é uma iniciativa feita em parceria com o Prof. Dr. Faustino Teixeira, teólogo, professor e pesquisador do PPG em Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Música de Górecki


(Foto: Faustino Teixeira | Arquivo Pessoal)

Dê ao descrente,
temeroso das alturas,
dos elevadores e passagens escuras,
se não a fé, ao menos um alento.
Devolva-lhe um sentimento de romeiro,
um cheiro de incenso de primeira missa.
Que a exultação dos sons
origine uma ogiva de luz.
Que os olhos se ergam
para esse relicário.
Que ele se esqueça de si
na clareira dessa nave.
Que a música lhe seja leito,
escapulário, sonho brando
sob um manto cálido.

Fonte: Donizete Galvão. Ruminações. São Paulo: Nankin Editorial, 1999, p. 57.


Donizete Galvão | Foto: Blog Escamandro

Donizete Galvão (1955-2014): Poeta e jornalista brasileiro, considerado um dos mais expressivos nomes da poesia contemporânea. Teve sua vida literária inspirada em Carlos Drummond de AndradeOctavio Paz, Jorge Luis Borges, Emílio Moura, Henriqueta Lisboa, Dantas Motta, Murilo Mendes e Elizabeth Bishop. Galvão foi duas vezes indicado ao Prêmio Jabuti pelas obras Azul navalha (1988) e A carne e o tempo (1997), sendo agraciado com o Prêmio APCA por Azul navalha. Além destes, é autor de As faces do rio (1991); Do silêncio da pedra (1996); Ruminações (1999); Mundo mudo (2003); e O homem inacabado (2010).