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17 Abril 2020

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana - ESTEF: Dr. Bruno Glaab, Me. Carlos Rodrigo Dutra, Dr. Humberto Maiztegui e Me. Rita de Cácia Ló. Edição: Dr. Vanildo Luiz Zugno.

Leituras do dia.

Primeira Leitura: At 2,42-47
Segunda Leitura: 1Pd 1,3-9
Salmo: 118,2-4.13-15.22-24
Evangelho: Jo 20,19-31

Jo 20,19-31 - Situando o texto

Pode-se dividir o texto em três partes: 1) a Igreja que faz a experiência do Ressuscitado (vv.19-23); 2) Tomé: a crise de fé (vv.24-29); epílogo (vv.30-31).

1) Experiência do ressuscitado (19-23). A comunidade se reunia domingo (1ºdia) de tarde para a celebração. Embora se tratasse de uma Igreja medrosa, pois estava com portas fechadas, é neste ambiente que o Ressuscitado se manifesta. Ele está presente, não mais na forma física, pois passa pelas portas fechadas; embora ao mostrar as chagas atesta ser o mesmo que passou pela cruz. Deseja a paz e agora que a fé está madura, começa a missão: “como Pai me enviou, eu vos envio”. Para tanto, os discípulos são batizados no Espírito (sopro que lembra a criação – Gn 2,7; Ez 37). O Espírito vem do sopro de Jesus e recria a comunidade dos apóstolos para a missão. Eles têm, no Espírito, o poder de perdoar e reter os pecados. Trata-se de pregar e denunciar, mas também de receber de volta aquelas pessoas que se afastaram de Jesus, o que na concepção joanina é o pecado por excelência.

2) Tomé e a crise de fé (24-29). Ao que parece, todos os discípulos tiveram crise de fé, não apenas Tomé. Pode-se perceber isto em Mc 16,14, quando o Ressuscitado lhes censura a incredulidade. Em Mt 28,17 se afirma que, diante do Ressuscitado, alguns tiveram dúvidas e em Lc 24,38 se esclarece que, novamente Jesus questiona o porquê da perturbação diante da ressurreição.

Em Jo 20,24-29, como também nos sinóticos, está um retrato falado das comunidades cristãs do período pós-pascal, entre fiéis que não conheceram o Jesus histórico. Muitos se questionavam: ele de fato está vivo? João centra as dúvidas das comunidades na pessoa de Tomé. Este, como tantos outros, não acreditava no testemunho da comunidade. Queria ver e tocar.

João, através do relato, mostra que a experiência do Ressuscitado é feita na comunidade que se reúne no primeiro dia da semana: domingo vv.19.26). É lá que a fé amadurece e se solidifica. Trata-se de uma Igreja reunida em eucaristia, mas medrosa, pois as portas estão fechadas. O Ressuscitado lhe traz a paz e envia seus membros para dar continuidade à sua missão. Estar em comunidade, no primeiro dia é fundamental para crer na ressurreição. Tomé não estava na comunidade, por isto teve de esperar mais oito dias, portanto, novamente o primeiro dia e estar com a comunidade, para enfim, fazer a experiência de fé que os demais já haviam feito antes.

Mais do que pensar em Tomé, convém aqui pensar nos leitores do quarto evangelho, dos anos 90. O texto quer conscientizar que é preciso crer sem ter visto, mas para isto, duas coisas são necessárias: a comunidade e a celebração no primeiro dia. É neste ambiente que os discípulos, assim como Tomé, encontrarão o Cristo Ressuscitado. É neste contexto que Tomé faz a grande profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”. Na comunidade celebrativa se professa Jesus como o Senhor e Deus. Tomé, como os cristãos das comunidades joaninas, devem passar do ver, para o crer sem ter visto.

3) Epílogo (30-31). Provavelmente a conclusão original da obra de João, antes do acréscimo do capítulo 21. Apresenta a ação de Jesus, para que a comunidade creia e receba a vida eterna.

Relação com At 2,42-47

A experiência do Ressuscitado foi a base de uma nova sociedade. Ou seja, ela transformou a vida dos fiéis. Por isto mesmo, os que acreditavam eram assíduos ao ensino dos apóstolos (palavras de Jesus, a base doutrinal), à comunhão fraterna (partilha dos bens), à fração do pão (refeição, eucaristia) e às orações.
Os que faziam a adesão ao Cristo Vivo, nas comunidades pós-pascais se transformavam em novas criaturas. Por isto mesmo, os de fora, vendo a vida exemplar, na alegria da partilha, da fé e da oração, se sentiam contagiados a também viver este modelo. Foi assim que a comunidade exercia seu zelo missionário: fé e exemplo de vida.

 

 

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