Jesus não é exclusivo de ninguém

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28 Setembro 2012

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 9, 38-48, que corresponde ao 26º Domingo do Tempo Comum, ciclo B do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto.

A cena é surpreendente. Os discípulos se aproximaram de Jesus com um problema. Neste caso, o porta-voz do grupo não é Pedro mas João, uns dos irmãos que andavam buscando os primeiros lugares no grupo. Agora o grupo de discípulos procura ter exclusividade de Jesus, buscam seu monopólio. Pretender ter exclusividade de sua ação libertadora.

Eles estão preocupados. Um exorcista que não faz parte do grupo está expulsando demônios em nome de Jesus. Os discípulos não gostam de que as pessoas fiquem curadas e que possam iniciar uma vida mais digna. Eles pensam somente no prestígio de seu próprio grupo. Por isso tentaram cortar pela raiz sua atuação. Este é o único motivo: “ele não nos segue”.

Os discípulos pensam que, para atuar em nome de Jesus e com sua força curativa, é preciso ser membro de seu grupo. Pensam que ninguém pode invocar a Jesus e trabalhar por um mundo mais humano sem fazer parte da Igreja. É realmente assim? Que pensa Jesus a respeito?

Suas primeiras palavras são claras: “não lhes proíbam”. O nome de Jesus e a sua força humanizadora são mais importantes do que o pequeno grupo de seus discípulos. É bom que a salvação que traz Jesus se estenda além da Igreja estabelecida e ajude as pessoas a viver de forma mais humana. Ninguém deve vê-la como uma competência desleal.

Jesus quebra toda tentativa sectária de seus seguidores. Ele não formou seu grupo para controlar sua salvação messiânica. Ele não é um rabino de uma escola fechada, mas um profeta de uma salvação aberta a todos e todas. Sua Igreja deve colocar seu nome onde ele é invocado para fazer o bem.

Ele não quer que entre seus seguidores se fale dos que são nossos e dos que não os são, os “de dentro e os de fora”. Quer dizer, ele não quer que se fale entre os que podem e os que não podem atuar em seu nome. Sua maneira de ver as coisas é diferente: “quem não esta contra nós está a nosso favor”.

Em nossa sociedade há muitos homens e mulheres que trabalham por um mundo mais justo e humano sem fazer parte da Igreja. Alguns nem são crentes em Deus mas estão abrindo caminhos ao reino de Deus e à sua justiça. Estes são nossos. Devemos ficar alegres em vez de olhar para eles com ressentimento. Devemos apoiá-los em lugar de desqualificá-los.

É um erro viver na Igreja vendo hostilidade e maldade por todos os lados, acreditando ingenuamente que somente nós somos portadores do Espírito de Jesus. Ele não nos aprovaria. Antes, convidar-nos-ia para colaborar com alegria com todos aqueles que vivem de maneira evangélica e que se preocupam dos mais pobres e necessitados.

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