Nobel da Paz para as crianças de Gaza: a proposta do Sínodo Metodista e Valdense

Foto: United Nations Photo/ Flickr

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01 Setembro 2026

Os trabalhos do Sínodo das igrejas Metodista e Valdense foram encerrados ontem em Torre Pellice (Turim) com uma condenação veemente do "massacre" perpetrado por Israel contra o povo palestino e um apelo à comunidade internacional para que assuma suas responsabilidades políticas e retire seu apoio - explícito ou implícito - às ações de Netanyahu.

O artigo é de Luca Kocci, jornalista, publicado por Il Manifesto, 31-08-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

O documento aprovado pela assembleia de 180 delegados denuncia as contínuas agressões do exército israelense e dos colonos na Cisjordânia. Também expressa total apoio à proposta simbólica de conceder o Prêmio Nobel da Paz às crianças de Gaza, as principais vítimas do conflito. Além disso, o Sínodo convida as igrejas, além de rezar, também a organizar iniciativas locais; promover formação e informação sobre a tragédia no Oriente Médio – também para combater antissemitismo e antijudaísmo -, a estabelecer e manter relações com cristãos na Palestina; e a apoiar aqueles, incluindo vozes dentro de Israel e da comunidade judaica, que protestam contra as políticas atuais do governo de direita de Netanyahu.

Entre outras questões sociais abordadas no último dia do Sínodo, destacou-se a confirmação, e até mesmo o fortalecimento, da postura de grande abertura das igrejas em relação a pessoas e temáticas LGBTQIA+, bem como um apelo para que a Távola Valdense crie um grupo de trabalho para o Europride 2027, que ocorrerá em Turim.

Também foi discutida a questão do direito à moradia, que cada vez mais parece ser um "privilégio", especialmente à luz do recente despejo do centro "Spin Time", em Roma, e do deslocamento das mais de 400 pessoas que lá viviam. Diante da grave crise habitacional nacional, impulsionada pela disparada dos aluguéis, pela proliferação de locações de curta duração e, sobretudo, pela falta de políticas habitacionais estruturais, o Sínodo aprovou uma resolução destacando como a emergência habitacional atinge com particular força a chamada "zona cinzenta", ou seja, jovens, estudantes, trabalhadores migrantes, pessoas em empregos precários, famílias com renda única ou numerosas e idosos de baixa renda.

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O Sínodo rejeitou totalmente o chamado "Plano casa" do governo Meloni, considerando-o totalmente inadequado e ineficaz para atender às reais necessidades habitacionais. Nesse sentido, o Sínodo apresentou a proposta de destinar à emergência habitacional uma parcela dos recursos do Oito por Mil da Igreja Valdense (cerca de 45 milhões de euros, graças a quase 500.000 assinaturas em 2026).

A prestação financeira apresentada ao Sínodo revela que 1.397 projetos sociais e culturais foram financiados em 2026: 997 na Itália (totalizando pouco mais de 30 milhões de euros) e 400 no exterior (quase 15 milhões). Esses recursos mantiveram sua característica distintiva de não serem utilizados para atividades de culto, mas exclusivamente para atividades sociais e culturais propostas também – ou principalmente - por organizações laicas externas. Ao final do Sínodo, a assembleia elegeu o novo Moderador da Távola Valdense (o órgão executivo das igrejas): William Jourdan (nascido em 1982), natural de Pinerolo e atualmente pastor valdense em Gênova. Ele sucede a diaconisa metodista Alessandra Trotta, que liderou o conselho nos últimos sete anos.

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