As Filipinas em mãos criminosas

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13 Mai 2016

A opinião é expressa pelo editorial, sob o título acima, publicado pelo jornal português Público, 12-05-2016.

Eis o texto.

Não foi preciso Donald Trump para o mundo de hoje se habituar a ver coisas que até aqui tinha por impensáveis. Nas Filipinas, país com uma história sangrenta, acaba de ser eleito Presidente um homem que se assume como criminoso. Chama-se Rodrigo Duterte, tem 71 anos, e disse durante a campanha qualquer coisa como isto: “Esqueçam as leis de Direitos Humanos. Se eu chegar ao palácio presidencial, farei o que fiz enquanto autarca. Vocês, traficantes de droga e os que não fazem nada, bem podem desaparecer. Porque enquanto autarca eu matar-vos-ia.” Além disso, ao falar de uma freira que foi assassinada num motim prisional em Davao, em 1989, disse (e há um vídeo a prová-lo) que ela era tão bonita que ele não se importava de ser o primeiro a violá-la. Mesmo assim foi eleito, com 38,6% e 15,8 milhões de votos. Confiam nele, diz-se, para dirimir um conflito com a China. Se o fizer da mesma forma que apoia esquadrões da morte, teme-se o pior.