A ternura de Francisco

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Por: André | 08 Outubro 2013

Bergoglio, com a cabeça inclinada sobre o ombro de um jovem que lhe sussurrava palavras ao ouvido, como se quisesse consolá-lo. A singular cena foi captada no dia 29 de junho de 2006 pelo fotógrafo argentino Enrique Cangas, de 41 anos e professor de uma escola de Avellaneda, a poucos quilômetros do centro de Buenos Aires. Eles estavam no Luna Park de Buenos Aires, na Avenida Madero (n. 420), em pleno centro, uma estrutura que abriga manifestações públicas, concertos e grandes eventos esportivos; há pouco tempo, a ex-proprietária, Ernestina de Lectoure, doou a estrutura à Caritas de Buenos Aires e aos salesianos. As pessoas que aparecem na foto rodeando Bergoglio e o seu aparente confidente dirigem o olhar para frente, enquanto ouvem alguém que está falando para o público. Se pudéssemos ver o resto da cena, descobriríamos alguns cartazes que revelam a natureza do encontro. Tratava-se de um encontro ecumênico entre evangélicos e cristãos, um dos muitos de que Bergoglio participou durante os seus anos como bispo, arcebispo e cardeal. A foto retrata a reunião ecumênica na qual se reuniram 7.000 pessoas sob o lema: “que sejam uma só coisa”.

 
Fonte: http://bit.ly/1bHNhqS  

A reportagem é de Alver Metalli e publicada no sítio Vatican Insider, 05-10-2013. A tradução é de André Langer.

A foto faz parte de uma série de 25 imagens nas quais aparece o atual Papa entre 2003 e 2012; estas imagens compõem a exposição que aconteceu no Mosteiro Santa Catarina de Buenos Aires no começo de julho de 2013. Abaixo da foto em questão, o autor colocou a seguinte frase: “A ternura... denota fortaleza de ânimo e capacidade de compaixão”.

Mas há ainda mais. Atrás da imagem há uma história muito original. Trataremos de reconstruir seus principais detalhes. O rapaz que está com Bergoglio chama-se Juan Francisco Taborda. Tem 22 anos e nessa época tinha apenas 16. Nasceu em San Fernando, na província de Buenos Aires, e vivia com o pai aposentado e sua mãe no bairro Los Polvorines, no município de Malvinas Argentinas, a pouco menos de uma hora do centro de Buenos Aires. É um adventista do Sétimo Dia e havia ido ao encontro no Luna Park a convite de duas amigas evangélicas. Ao concluir o ensino médio, obteve uma bolsa, a mesma que, no começo, havia pensado usar para estudar teologia na Universidade Adventista da província de Entre Ríos. Queria ser pastor. Depois mudou de ideia e inscreveu-se na universidade pública de Buenos Aires, onde estuda história. Para manter-se, trabalha como porteiro suplente em um edifício situado na Rua República Árabe de Buenos Aires.

Juan Francisco Taborda não sabia quem havia abraçado no Luna Park naquele dia de São Pedro e São Paulo. Descobriu no dia 13 de março de 2013, dia da eleição de Jorge Mario Bergoglio como sucessor de Pedro.

Mas esta história guarda mais surpresas. Entre o dia em que Bergoglio reclinou a cabeça no ombro do jovem e o dia em que o reconheceu, Juan Francisco Taborda voltou a encontrar-se duas vezes com Bergoglio.

A primeira vez foi em 2008, quando trabalhava no edifício Torres del Botánico, na Avenida Las Heras. “Havia apenas começado o turno, às 21h, e cinco minutos depois minha irmã me telefonou para me informar sobre a cirurgia de um primo muito querido. Estava muito triste, preocupado com as notícias que havia recebido. Vejo entrar um sacerdote que vai na direção do elevador. Ele também me vê, percebe que estou perturbado, volta e começamos a falar. Ficou um bom tempo para me animar. Não o reconheci, não vi nele o sacerdote que havia abraçado no Luna Park. Me disse que vai rezar por mim, pelo meu primo, me pediu o número do telefone. Me transmitiu uma paz muito grande; é o que mais lembro. A paz e a energia que dizem sentir os adventistas quando rezam todos juntos eu a senti naquele momento. Uma semana depois, para minha surpresa, me telefonou, lembrava-se do meu nome e me perguntou como estava o meu primo”.

Houve um segundo encontro entre os dois, um ano depois, no mês de abril de 2009, na catedral metropolitana de Buenos Aires. Juan Francisco tinha que fazer uma pesquisa para a faculdade sobre o sincretismo religioso. Havia ido à catedral para contar as estátuas dos santos e as imagens religiosas que havia. Em certo momento, aquele sacerdote aproximou-se novamente dele. Lembrava-se dele e de seu primo, sobre quem pediu notícias. Depois, quando lhe explicou porque estava ali, fez com ele um “tour” pela catedral e lhe deu toda a informação de que necessitava.

Juan Francisco Taborda acompanhou a eleição de Bergoglio como todos os argentinos. E celebrou com seus compatriotas na catedral no dia 13 de março à noite. Quatro dias depois, uma pessoa publicou a foto de Enrique Cangas em sua página do Facebook. “Quando vi a fotografia fiquei sem fôlego”, disse ainda incrédulo. E revelou o que lhe sussurrou no ouvido: “Ele não queria rezar e me pediu que o fizesse no seu lugar, e pronunciei uma invocação ao Senhor para que nos acompanhe e nos mostre o caminho...”.

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