A cadeira vazia no concerto? Francisco falava com Viganò

Mais Lidos

  • Jesuíta da comunidade da Terra Santa testemunha o significado da celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo em uma região que se tornou símbolo contemporâneo da barbárie e do esquecimento humano

    “Toda guerra militar é uma guerra contra Deus”. Entrevista especial com David Neuhaus

    LER MAIS
  • O sentido da cruz de Cristo: superação da lógica sacrificial expiatória como consequência do amor radical a Deus e à humanidade. Artigo de Elias Wolff

    LER MAIS
  • A ressurreição no meio da uma Sexta-feira Santa prolongada. Artigo de Leonardo Boff

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

22 Julho 2013

No dia da grande recusa a assistir ao concerto no Vaticano, o Papa Francisco recebeu por nada menos do que duas vezes – era o dia 22 de junho – o arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-secretário do Governatorato "promovido" a núncio apostólico em Washington depois de ter denunciado em 2011 casos de corrupção no Vaticano.

A reportagem é de Orazio La Rocca, publicada no jornal La Repubblica, 19-07-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Um simbólico "tapa" no idealizador do concerto, o bispo Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, forçado a motivar a ausência com "improrrogáveis compromissos do papa", diante da poltrona papal que permaneceu vazia e de um público de cardeais, bispos, políticos e cúpula da Rai.

Naquele dia, o pontífice, ao invés das sonatas de Beethoven, preferiu a voz do ex-secretário do Governatorato que nem mesmo o Bento XVI conseguiu manter do outro lado do Tibre ("Monsenhor, faze-o por mim, vai para Washington", implorou-lhe Ratzinger em uma breve conversa).

Francisco, ao contrário, o encontrou duas vezes em um dia: de manhã, com os núncios apostólicos, e à tarde por mais de duas horas, em um encontro exclusivo que – a quase um mês de distância – Viganò recorda "com emoção", contando aos seus amigos mais confiáveis que ficou "muito satisfeito com a audiência concedida pelo papa excepcionalmente paterno e compreensivo".

Portanto, era esse o "compromisso improrrogável" ao qual Fisichella fez referência? Não é arriscado imaginar isso. Além disso, nesse mesmo dia, do outro lado do Tibre, vazaram rumores de um papa nada entusiasmado em participar de um evento considerado por ele como "excessivamente mundano" e "demasiadamente frívolo".

Foi quase espontâneo, portanto, o "não" do pontífice, que preferiu ouvir de Dom Viganò a natureza das acusações formuladas em uma carta de março de 2011 ao cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, na qual falava de casos de corrupção e de prevaricação no Vaticano, concorrências por contratos manipuladas, beirando até a delicada tecla da presença de um lobby gay.

Entre os monsenhores-alvo de Viganò, Paolo Nicolini, responsável administrativo dos Museus Vaticanos, que boatos incontrolados indicam agora como um dos concorrentes a vice-secretário do Governatorato, ao lado do padre Fernando Alzaga Vergez, legionário de Cristo, provável novo secretário-geral.