Estudo detalhou atuação e regulação de oligopólios

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16 Outubro 2014

"Temos uma grande dívida com Jean Tirole." A reação de Joaquín Almunia, comissário de Competição da União Europeia (UE), mostra o grau de influência do acadêmico francês.

A reportagem é de Lindsay Whipp e Robin Harding, publicada pelo Financial Times e reproduzida pelo jornal Valor, 14-10-2014.

Tirole foi premiado pelo desenvolvimento da primeira "teoria abrangente e coerente" sobre a organização industrial - o campo da economia que lida com a estrutura industrial e a competição entre empresas - e foi elogiado pela sua contribuição à regulamentação dos oligopólios.

O comitê do Nobel chamou atenção para a amplitude de suas contribuições e seu repensamento da organização industrial. O comitê destacou suas pesquisas sobre "investimentos estratégicos e disputas em pesquisa e desenvolvimento", "oligopólio dinâmico" e "comercialização conjunta", todas feitas com vários parceiros.

Antes de Tirole, a teoria econômica era boa em competição perfeita - os mercados de commodities, por exemplo - e boa em situações de monopólio. Havia um entendimento geral de como as companhias se comportavam em oligopólios. A realização de Tirole foi tornar esse entendimento muito mais detalhado e específico para determinados setores.

Ele afirmou não haver uma maneira universal de regulamentar um oligopólio. Ele criou um modelo usando novas ferramentas, como a teoria dos jogos (o estudo matemático dos conflitos e da cooperação) e a teoria dos contratos (o estudo sobre como os contratos podem ser firmados diante do acesso assimétrico à informação).

Um dos grandes problemas com a regulamentação dos oligopólios é a falta de informações plenas sobre questões como os custos e a formação de preços pelas empresas. Junto com Jean-Jacques Laffont, ele desenvolveu na década de 80 a ideia do uso de contratos de incentivo complexos específicos de cada setor, para regular os oligopólios. Esses contratos reduziam a necessidade de a autoridade reguladora ter conhecimento pleno das condições econômicas de cada companhia, mas garantia que os consumidores e a sociedade como um todo não sairiam perdendo por causa da geração excessiva de lucros da indústria.

Ele se concentrou especialmente na regulamentação das telecomunicações e do setor bancário. A análise setorial sutil e específica da competição levou a uma mudança de pensamento também sutil em relação à regulamentação. Por exemplo, os reguladores sempre restringem a chamada formação de preços predatória, em que as empresas reduzem os preços temporariamente para eliminar concorrentes. Mas Tirole estudou setores como o dos jornais, em que a distribuição gratuita pode atrair uma massa crítica de leitores e assim encorajar os anunciantes.

Sua obra vem ganhando cada vez mais importância. Novos gigantes como a Apple e o Google são concorrentes, mas de uma maneira que tem pouco a ver com o modelo econômico clássico de muitos produtores e muitos clientes comercializando um produto idêntico. Em vez disso, seus preços podem ser acessíveis para o consumidor, enquanto sua concorrência na nova tecnologia sempre leva a um domínio pelo menos temporário do mercado. Como regular essas companhias é uma questão política premente.