Autoridade islâmica afirma que extremistas não representam ''Estado Islâmico''

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

25 Agosto 2014

A maior autoridade islâmica no Egito, reverenciada por muitos muçulmanos em todo o mundo, lançou uma campanha na Internet no domingo desafiando o grupo extremista na Síria e no Iraque, dizendo que não ele deveria ser chamado de um "Estado Islâmico".mosque

A reportagem é de Sarah El Deeb, publicada no sítio da Associated Press, 24-08-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Uma campanha iniciada pela Dar al-Ifta, considerada a instituição com maior autoridade de aconselhamento em questões espirituais e de vida dos muçulmanos, contribui para a guerra de palavras que está sendo realizada pelos líderes muçulmanos de todo o mundo visando o grupo do Estado Islâmico, que controla vastas faixas do Iraque e da Síria. Seus ataques violentos que incluem tiroteios em massa, destruição de templos xiitas, ataques às minorias e decapitações, como a do jornalista americano James Foley, tem chocado muçulmanos e não muçulmanos.

O grão-mufti do Egito, Shawki Allam, disse anteriormente que os extremistas violam todos os princípios e as leis islâmicas e descreveu o grupo como um perigo para o Islã como um todo.

Agora, o instituto Dar al-Ifta, que ele supervisiona, irá sugerir à mídia estrangeira que deixe de usar o termo "Estado Islâmico" em favor de "separatistas da Al-Qaeda no Iraque e na Síria" ou a sigla "QSIS", conforme Ibrahim Negm, assessor do mufti.

Isso faz parte de uma campanha que "tem como principal objetivo corrigir a imagem do Islã, que tem sido manchada no Ocidente por causa de tais atos criminosos, e para exonerar a humanidade de tais crimes que desafiam os instintos naturais e espalham ódio entre os povos", afirmou Negm para MENA, a agência estatal de notícias do Egito. "Também queremos reafirmar que todos os muçulmanos são contra estas práticas que violam os princípios que são tolerados pelo Islã".

Negm disse que a campanha na Internet e nas mídias sociais irá incluir opiniões de estudiosos islâmicos de todo o mundo sobre o grupo e suas pretensões de representar o Islã. Ela também irá incluir uma campanha "hashtag" no Twitter e vídeos de muçulmanos denunciando o grupo e seus métodos.

A campanha acontece ao mesmo tempo em que o Grande Mufti da Arábia Saudita, o xeique Abdul-Aziz Al-Sheik, também ter chamado o grupo islâmico de inimigo número 1.

Muçulmanos de todo o mundo têm lutado contra a reação que se seguiu à ascensão da Al Qaeda e dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Acadêmicos e grupos ativistas têm buscado por anos dissociar-se dos militantes e de suas próprias versões extremistas do Islã.

Eles dizem que o grupo do Estado Islâmico é um outro grupo que parece mais ambicioso e agressivo do que a Al-Qaeda. O grupo do Estado Islâmico rebatizou-se no dia 29 de junho, quando, unilateralmente, declarou o território que detinha no Iraque e na Síria um califado, apagando efetivamente as fronteiras dos dois países e a criação de um proto-estado, governado por sua própria interpretação estrita da lei "Shariah". Anteriormente, ele se auto-referiam como "Estado Islâmico do Iraque e do Levante", enquanto lutavam na Síria contra o regime do presidente Bashar Assad.

Desde 29 de junho, a Associated Press faz referência à organização dos extremistas como o "grupo do Estado Islâmico" ou a seus combatentes como "militantes do Estado Islâmico". Muitas outras organizações de mídia fazem o mesmo, enquanto algumas se referem a ele por seu nome anterior.

O grupo do Estado Islâmico tem uma sofisticada campanha de mídia na Internet e tem atraído combatentes estrangeiros, o que pode explicar o porquê dos estudiosos islâmicos optarem por adotar uma abordagem semelhante. Mas não está claro o quão bem sucedido será este último empurrão contra o grupo.

A Dar al-Ifta é bem conhecida entre os estudiosos da jurisprudência islâmica e oferece formação religiosa a muitos muçulmanos de todo o mundo desde o final de 1800. Mas suas opiniões são consultivas e, muitas vezes, vistas como muito próximas das posições oficiais do governo egípcio.