23 Mai 2014
Na passagem de bastão com o sucessor, Parolin, ele definiu os seus sete anos à frente da Secretaria de Estado como "ricos e conturbados". E também não há paz nem mesmo agora para Tarcisio Bertone, primeiro-ministro de Bento XVI por sete anos e, depois, de Francisco por sete meses.
A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 21-05-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O purpurado salesiano, que no dia 2 de dezembro completará 80 anos, está novamente sob a atenção da imprensa. Um novo golpe contra o cardeal que, apenas um mês atrás, estava no centro de uma polêmica ligada à sua nova residência no Vaticano, um apartamento de cerca de 600 metros quadrados em um palácio do pequeno estado, na sombra de São Pedro.
Mas Bertone já teve outros problemas, como o caso ligado à herança do Marquês Gerini aos salesianos, à fase dos venenos do Vatileaks, que aconteceu durante o seu mandato e que o viu como protagonista de confrontos, como aquele com o então secretário-geral do Governatorato, Viganò. As críticas também se dirigiram à "gestão" do IOR, com a defenestração do " seu" presidente do instituto, Ettore Gotti Tedeschi, em maio 2012.
Ex-colaborador confiável de Joseph Ratzinger na Congregação para a Doutrina da Fé, ele se tornou secretário e número dois do ex-Santo Ofício em 1995. No início de 2003, tornou-se arcebispo de Gênova e foi nomeado cardeal. Em junho de 2006, o Papa Bento XVI nomeou-o secretário de Estado, cargo que ocupou desde 15 de setembro de 2006, sucedendo o cardeal Angelo Sodano. Uma posição que ele continuou executando, no entanto, mesmo que em regime de "prorogatio" desde o cumprimento dos 75 anos de idade, a partir do dia 2 de dezembro de 2009, juntamente com a posição de camerlengo.
Foi justamente como camerlengo que ele administrou a sé vacante depois da "renúncia" de Ratzinger no dia 11 de fevereiro de 2013. Deixou o seu cargo no dia 15 de outubro de 2013 (embora o anúncio da chegada do seu sucessor, Mons. Pietro Parolin, é do dia 31 de agosto), depois de sete meses de colaboração com Jorge Bergoglio.
Bento XVI fez dele um secretário de Estado com poderes muito amplos, capazes de gerir amplamente as nomeações, muitas vezes criticado pela sua exuberância e pelo seu ativismo. No dia 7 de fevereiro de 2014, foi substituído pelo próprio Parolin na comissão cardinalícia de controle da IOR: "Acho que a minha substituição juntamente com a de outros membros da Comissão Cardinalícia de supervisão do IOR foi uma decisão até mesmo fisiológica", explicou depois. "Mudando o secretário Estado, que, nas últimas décadas, tinha o cargo de presidente, era natural que eu também mudasse".
Tendo entrado muito jovem para os salesianos, foi ordenado sacerdote em 1960. Quinto de oito filhos, completou seus estudos médios em Turim, no oratório de Valdocco, passando diretamente para o noviciado de Monte Oliveto (Pinerolo), atraído pela vocação salesiana.
Ele revelou que, quando se encontra com o Papa Ratzinger (que uma vez o comparou a Franz Beckenbauer), "falamos de futebol, e ele me pergunta o que aconteceu com a minha Juventus". Sobre o leghista Roberto Calderoni, que tinha desfraldado uma camiseta anti-islâmica na TV, provocando rebeliões violentas, ele disse: "Certas pessoas deveriam ser mandadas fazer trabalhos forçados na Cirenaica, para entender o verdadeiro valor do respeito".