14 Abril 2026
O magnata não se desculpa, talvez devido ao seu orgulho habitual, ou porque não percebe que deu um tiro no próprio pé, tendo em vista as cruciais eleições de meio de mandato em novembro.
A reportagem é de Paolo Mastrolilli, publicada por La Repubblica, 14-04-2026.
Desta vez, encontrar alguém para defender Trump é um desafio, mesmo entre os apoiadores mais fervorosos do movimento MAGA, que o acusam de blasfêmia por causa da postagem que ele fez, comparando-o a Jesus, após o ataque ao Papa Leão XIV, postagem essa que foi posteriormente apagada. Contudo, ele não se desculpou, talvez por seu orgulho habitual, ou talvez por não perceber que deu um tiro no próprio pé, às vésperas das cruciais eleições de meio de mandato em novembro.
Fontes com conhecimento de primeira mão da situação sugerem examinar cuidadosamente as reações para identificar as mais significativas. Por exemplo, dom Robert Barron, bispo de Winona, Rochester, um aliado conservador do presidente e membro de sua Comissão de Liberdade Religiosa, disse: "Sou grato pela forma como o governo Trump acolheu os católicos e outras pessoas de fé. Nenhum presidente em minha vida demonstrou mais dedicação à defesa da liberdade religiosa. Dito isso, acho que ele deve um pedido de desculpas ao Papa." Se Barron também o abandonar, observam as fontes, isso significa que não há mais ninguém na hierarquia do lado dele. O mesmo vale para o mundo MAGA, onde comentaristas e propagandistas como Michael Knowles, Riley Gaines, Jon Root e até mesmo a ex-congressista Marjorie Taylor Greene gritaram blasfêmia, pedindo a remoção da imagem que denigre Jesus.
President Trump has, oddly, accused Pope Leo XIV of being "weak on crime," as if the Vicar of Christ were a mayor or a governor. Here's someone else who would probably be criticized for being too lenient with criminals, even promising one a place a heaven:
— James Martin, SJ (@JamesMartinSJ) April 13, 2026
One of the criminals… pic.twitter.com/YN0zXZPTdW
Fontes explicam que talvez a intenção fosse distrair os americanos dos apelos de Leão pela paz, dados os problemas da guerra no Irã. O vice-presidente Vance é católico, mas está em queda livre após se opor à intervenção e às negociações fracassadas em Islamabad, então precisa esconder seu desconforto. A situação deve ser inversa para o secretário de Estado Rubio, que também está constrangido, mas prefere manter silêncio, já que suas chances de concorrer à Casa Branca em 2028 estão aumentando.
O problema político, no entanto, é claro e evidente nos números. Em 2020, 50% dos eleitores católicos votaram no católico Joe Biden, em comparação com 49% que escolheram Trump. Em 2024, as porcentagens se inverteram, com 55% apoiando Donald Trump e apenas 43% favorecendo Harris. Eles fizeram a diferença em muitos estados-chave e poderiam fazê-lo novamente em novembro, desta vez para condenar o Partido Republicano à derrota. De acordo com uma pesquisa realizada em fevereiro pelo Washington Post e pela emissora ABC, ao longo do último ano, o número de eleitores católicos que aprovam a presidência de Trump caiu de 48% para 41%.
Christian Trump supporters are now burning their MAGA hats after Trump posted himself as Jesus.
— Ed Krassenstein (@EdKrassen) April 14, 2026
MAGA is over. pic.twitter.com/h3JqWP4MPs
Esses dados são anteriores ao início da guerra no Irã e ao atentado contra Leão. Uma pesquisa da NBC, no entanto, mostrou que apenas 8% dos americanos têm uma opinião negativa sobre o Papa. Prevost não é Francisco, mas um nativo de Chicago, entusiasta do beisebol e torcedor do White Sox. Ele é visto como um moderado razoável, não como um político liberal militante, como o líder da Casa Branca tentou retratá-lo. Em contrapartida, a popularidade de Trump despencou, devido à guerra à qual o movimento MAGA se opôs, à crise energética e à inflação. Talvez ele tenha atacado Leão justamente para distrair os americanos desses problemas, mas, ao fazê-lo, corre o risco de chamar a atenção para suas próprias deficiências.
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