''É preciso que uma lei dê força aos testamentos biológicos''

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26 Junho 2014

Para Mina Welby, esposa de Piergiorgio Welby (1945-2006), que foi um jornalista e ativista político italiano, comprometido com o reconhecimento legal do direito à recusa da obstinação terapêutica na Itália e com o direito à eutanásia, os testamentos biológicos precisam ter a força legal que hoje lhes falta.

A reportagem é de Francesca Paci, publicada no jornal La Stampa, 25-06-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

A França assume de frente o debate sobre a eutanásia. Em que ponto a Itália está?

Na realidade, o caso francês não é de eutanásia, mas de suspensão dos tratamentos, um ato praticável e praticado na Itália, sobretudo em reanimações e nas unidades de terapia intensiva. Mas é interessante o parecer positivo dos juízes franceses.

Por quê?

O meu marido, Piergiorgio, recorreu ao juiz civil, mas não obteve senão uma ordem exigindo que o médico desligasse o respirador, embora, com base na Constituição, ele pudesse fazer isso. O problema na Itália é a ausência de um debate político sobre a eutanásia, em que, ao contrário, as pessoas experimentam todos os dias como não é nada fácil morrer. Há um estudo de 2001 que revela que 3,6% dos 289 médicos da Universidade Católica de Milão entrevistados testemunharam que haviam administrado drogas letais para ajudar o doente a morrer.

Os juízes franceses se manifestaram de modo mais "pragmático" do que os pais de Lambert. A senhora acredita que, na Itália, a sociedade é menos conservadora do que os seus legisladores?

Em Roma, nós, da Associação Luca Coscioni, coletamos 8.000 assinaturas para o registro dos testamentos biológicos e esperamos há cinco meses o agendamento da deliberação. O pedido é de que esses testamentos biológicos tenham a força legal que hoje lhes falta. Os médicos italianos agem da melhor forma possível, mas, na ausência de uma lei clara, sobre a habilitação do médico para agir sem risco de acabar na berlinda ou sobre a legalização da eutanásia, é duro. Porém, os políticos falam a respeito, porque há um mês eles organizaram no Parlamento um congresso sobre o fim da vida.