Em carta, Papa agradece Estela de Carlotto por busca de netos desaparecidos na Argentina

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Por: Jonas | 14 Agosto 2014

“Por meio dessas linhas quero me aproximar de você nesses dias em que você encontrou seu neto. Sei que é uma alegria para a avó que recorreu um longo caminho de sofrimento. Um sofrimento que não o paralisou, mas que a manteve em sua luta”. Assim, o papa Francisco iniciou a carta escrita de próprio punho à presidente da Associação das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, que, após 36 anos de busca, encontrou, na última semana, Ignacio Hurban, chamado pela família de Guido. Sites argentinos divulgaram a carta nesta quarta-feira (13/08).

 
Fonte: http://goo.gl/eFVPH5  

A reportagem é publicada por Opera Mundi, 13-08-2014.

Francisco, que é argentino, ressaltou a importância do trabalho de Estela ao comentar que hoje não é somente “seu neto que a acompanha, mas também outros 114 que recuperaram sua identidade”.

Ele agradeceu o empenho da Avó de Maio nesses anos de luta: “Obrigado, senhora, por sua luta. Me alegro de coração e peço ao Senhor que a retribua por tanta dedicação e trabalho. Fico à sua disposição, e por favor, peço que não se esqueça de rezar por mim”, escreveu o Papa.

A declaração ganha ainda mais importância pelo fato de que logo após assumir o pontificado, Jorge Mario Bergoglio foi criticado por organismos de direitos humanos argentinos, como as Mães da Praça de Maio e o Centro de Estudos Legais e Sociais, por ter sido supostamente “omisso” ou “cúmplice” da repressão aos militantes durante a ditadura militar no país.

O biógrafo de Francisco, Sergio Rubin, negou as acusações e disse que ele inclusive, teria tentado salvar alguns argentinos perseguidos pelo regime, escondendo fugitivos em propriedades da Igreja e dando seus próprios documentos a um desses perseguidos políticos para ajudá-lo a fugir para o Brasil.

O neto 114

Guido foi 114º neto encontrado pelas Avós da Praça de Maio em 36 anos. Sua aparição deu um novo fôlego ao trabalho de buscas. De acordo com funcionários da organização, desde o dia 5 de agosto o telefone toca insistentemente. São jovens que, como Guido, desconfiam de sua origem e pensam poder ser filho de perseguidos políticos da ditadura militar.

Ainda restam cerca de 400 netos que foram adotados e criados por outras pessoas após terem sido separados de suas mães, detidas enquanto estavam grávidas.