''A revolução está no início, sem resultado certo''

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20 Mai 2014

"Limpar o IOR e as finanças vaticanas é um esforço imenso. A revolução está no início: o resultado é incerto, e o tempo não é muito". A afirmação é de Marco Politi, um dos vaticanistas mais conhecidos (com colunas antes no jornal Il Messaggero, depois no La Repubblica, hoje no Il Fatto Quotidiano), no seu livro Francesco tra i lupi [Francisco entre os lobos], publicado pela editora Laterza.

A reportagem é de Salvatore Izzo, publicada no sítio da Agenzia Giornalistica Italia, 18-05-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"No Vaticano – denuncia – crescem as resistências aos seus audaciosos programas de refundação da Igreja como a participação dos bispos no governo eclesial, a inserção de mulheres nas cúpulas decisionais, a abordagem nova aos divorciados e homossexuais".

Esse jesuíta ítalo-argentino que já pensava em se retirar do ministério episcopal por ter "alcançado os limites de idade", em 13 meses, já despedaçou, observa Politi, "a imagem de uma Igreja madrasta, rejeitou a pompa imperial, não conhece barreiras entre crentes e não crentes, nenhum pontífice europeu viveu como ele a miséria dos marginalizados, é próximo das angústias de homens e mulheres de todos os credos. Está imerso na modernidade, pratica a ternura e a compaixão".

Francesco tra i lupi conta os desafios escondidos da revolução de Bergoglio e da oposição ao papa mais popular dos nossos tempos, "homem do ano" para a revista Time.

Segundo Politi, reformar a Cúria e renovar a Igreja é uma tarefa gigantesca nos limites do impossível, ainda mais se for preciso lidar com os "lobos", os obstáculos (humanos e de sistema) colocados ao pontificado desse pastor "chamado quase do fim do mundo" para restaurar a confiança a uma Igreja desorientada e presa em lutas internas e sem exclusão de culpas, como demonstrou o caso Vatileaks, com a traição de pessoas nas quais Bento XVI confiava completamente.

Para o vaticanista Politi, o pontificado de Jorge Mario Bergoglio, de fato, é um "paradoxo", porque se trata de um papa amado e apoiado pelos fiéis e pelos homens de boa vontade, que ainda não se reconhecem no Evangelho, mas bastante impopular ao establishment da Igreja Católica: sua transparência, a amabilidade, o seu ser líder espiritual universal, já santo para tantos fiéis, mas reconhecido como guia moral também por uma multidão de não católicos, realmente dão medo aos carreiristas e aproveitadores que ainda se aninham em muitos gânglios do mundo católico.