O resgate de cães em São Paulo gera debate

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

19 Outubro 2013

A direção do Instituto Royal vai processar os ativistas que invadiram o laboratório da organização na madrugada desta sexta-feira, 18, em São Roque, região de Sorocaba, e fizeram o resgate forçado de 178 cães da raça beagle.

A reportagem é de José Maria Tomazela e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 19-10-2013.

De acordo com o diretor científico João Antonio Pegas Henriques, serão usadas imagens da invasão para identificar os líderes. "Estamos acionando nosso departamento jurídico para responsabilizar nas esferas civil e criminal os autores dessa invasão, pois houve saques e danos." Segundo ele, além de retirar e levar os animais, os invasores arrombaram portas, depredaram instalações e furtaram computadores e documentos. Os cinco agentes de segurança que estavam no local nada puderam fazer. Os prejuízos não tinham sido avaliados até o início da tarde.

A Polícia Civil foi acionada para fazer uma perícia no local. Segundo Henriques, os animais levados pelos invasores não estão preparados para viver em qualquer ambiente e muitos estavam em tratamento. "Os prontuários desses animais também foram levados. O pior é que estão fazendo terrorismo com nossos funcionários."

No início da tarde, alguns manifestantes voltaram a se concentrar na frente do portão. A ativista Rosana Aparecida da Silva informou que as ações não vão parar. "Não basta tirar os animais, é preciso ir além para fechar essa organização." Um novo protesto está marcado para a manhã deste sábado, 19, no acesso do instituto, no bairro Mailasqui, zona rural de São Roque.

O Instituto Royal é investigado pelo Ministério Público pelo uso de cães em testes para a indústria farmacêutica.

'A gente quer fechar isso', diz internauta

O caso ganhou repercussão nas redes sociais. Surgiu até uma página no Facebook oferecendo os animais resgatados em adoção. A apresentadora Luisa Mel, que estava na manifestação, postou que o dia foi um dos mais importantes de toda a história da proteção animal. "Quem tem coração não aguentou e juntos mudamos para sempre a história dos animais."

A internauta Larissa Carvalho elogiou a ação dos "anjos ativistas". Rosana Aparecida da Silva, de São Roque, disse que a mobilização vai continuar. "Não basta tirar os animais, a gente quer fechar isso."

Adotar cães levados de instituto é crime, diz delegado

Quem adotar qualquer dos cães da raça beagle levados por ativistas, na madrugada desta sexta-feira, 18, do Instituto Royal, em São Roque, pode incorrer em crime de receptação, alertou o delegado seccional de Sorocaba, Marcelo Carriel.

Páginas na internet ofereciam os animais resgatados para interessados em adoção. Segundo o delegado, como se trata de produto de furto, a pessoa que adotar o cão conhecendo a procedência vai incorrer no crime de receptação, previsto no artigo 180 do Código Penal. A pena prevista vai de um a quatro anos de prisão. "Não precisa ser venda para caracterizar o crime. Em se tratando de bem furtado, receber em doação também caracteriza o crime de receptação", explicou.

No final da tarde, a Polícia Civil de São Roque abriu inquérito para apurar a invasão e depredação do Instituto Royal por ativistas em defesa dos animais. O delegado Marcelo Pontes espera o laudo da perícia feita no local para decidir sobre os indiciamentos. Ele vai usar imagens da invasão para identificar os possíveis autores dos crimes de furto qualificado, danos e ameaça.

A denúncia de maus tratos aos animais já é apurada no âmbito do Ministério Público Estadual. O promotor público Wilson Velasco Júnior disse que a invasão e retirada dos animais atrapalharam as investigações. O inquérito civil, segundo ele, apura se o instituto age de forma legal ou não. "Como os cães viviam num ambiente estéril e foram tirados desse ambiente, a eventual materialidade de um crime foi prejudicada."

Veja também: