#esmola

Foto: PxHere

Mais Lidos

  • Bayer escolhe Brasil para estrear complemento a agrotóxico mais polêmico do mundo

    LER MAIS
  • Brasil detém a segunda maior reserva global de terras raras conhecidas no mundo. Exploração desses recursos naturais estará em pauta nas eleições presidenciais deste ano, observa o geógrafo

    Terras raras e a transformação do Brasil em periferia extrativa global. Entrevista especial com Ricardo Assis Gonçalves

    LER MAIS
  • Na semana do Dia das Mães, a pesquisadora explica como o mercado de trabalho penaliza mulheres chefes de família com filhos e sem cônjuge

    Mães solo e os desafios do cotidiano: dificuldades e vulnerabilidades nos espaços públicos. Entrevista especial com Mariene de Queiroz Ramos

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

31 Março 2022

 

Os pobres gostam da esmola dos meninos porque não os humilha, e porque os meninos, que precisam de todos, se assemelham a eles... A esmola de um homem é um ato de caridade: mas aquela de uma criança é ao mesmo tempo uma caridade e um afago.

 

O comentário é do cardeal italiano Gianfranco Ravasi, prefeito do Pontifício Conselho para a Cultura, em artigo publicado em Il Sole 24 Ore, 27-03-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Para os alunos das gerações do passado, era muitas vezes uma leitura obrigatória que, no entanto, eles realizavam com vontade porque aquelas páginas, às vezes um pouco lacrimosas, eram confiadas a narrativas emocionantes e exemplares. Estamos falando daquele "diário" escolar intitulado Coração, a obra mais famosa que Edmondo De Amicis publicou em 1886. Do conto Pobres extraímos essa sugestiva observação sobre um gesto que tem em sua denominação um significado menos retórico do que da atual percepção: "esmola", em sua etimologia grega, refere-se a uma partilha da miséria alheia, uma "piedade" afetuosa e partícipe.

 

Portanto, é verdade o que o escritor observa: o adulto muitas vezes realiza a oferta aos pobres de maneira um tanto incomodada e até rude; o menino, que se assemelha um pouco ao indigente sentado no chão, também por sua baixa estatura e pela dependência econômica dos pais, está no nível dele e é mais espontâneo.

 

Ele não apenas faz caridade, mas é como se estivesse fazendo um afago, e seu gesto torna-se uma lição para o adulto altivo e distante. De fato, Cesare Pavese sem hesitação em seu diário, Il mestiere di vivere, reiterava amargamente que “a gente dá esmola, para livrar-se do miserável que a pede”.

 

 

Leia mais