A diplomacia olímpica de Xi Jinping: a Rota da Seda se estende até a Argentina

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08 Fevereiro 2022

 

Foi uma maratona daquelas que há tempo não estava mais acostumado a fazer. Preso na Grande Muralha por dois anos devido à pandemia, de uma só vez, em três dias, o presidente chinês Xi Jinping primeiro fortaleceu relações "sem precedentes" com o russo Putin e depois lançou as bases (e até algo mais) para projetos de desenvolvimento e acordos com outros líderes amigos convidados aqui em Pequim para acompanhar os Jogos.

 

A reportagem é de Gianluca Modolo, publicada por Repubblica, 07-02-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Uma diplomacia olímpica, com cinco círculos, que produziu como resultado mais importante o envolvimento da Argentina na nova Rota da Seda. O líder chinês e o presidente Alberto Fernandez assinaram um memorando de entendimento para integrar o país sul-americano com plenos efeitos no ambicioso projeto lançado por Xi há nove anos.

Que melhor presente para comemorar 50 anos de relações diplomáticas entre Pequim e Buenos Aires? A adesão foi acompanhada por 13 documentos de cooperação, incluindo desenvolvimento verde, economia digital, espaço, tecnologia e inovação, formação e cooperação universitária, agricultura, mídia e energia nuclear.

No futuro imediato para a Argentina, tudo isso se traduzirá em 23,7 bilhões de dólares em investimentos e na renovação do currency swap, o acordo bilateral entre os dois bancos centrais de Pequim e Buenos Aires para a regulação cambial entre as duas nações. Um acordo nascido em 2009 e que se ampliou ao longo dos anos: útil para sustentar, mais do que nunca, as reservas estrangeiras cada vez menores do país latino-americano e para permitir que os chineses levem adiante os seus projetos.

O governo argentino acaba de chegar a um acordo com o Fundo Monetário Internacional para a reestruturação da dívida de 44,5 bilhões de dólares contraída em 2018, mas os cofres do banco central estão no mínimo histórico (um bilhão e meio de dólares) e, portanto, estender o acordo com Pequim (e seus yuans) serve para fortalecer suas reservas em vista de pagamentos futuros ao FMI.

Hoje o swap é de 130 bilhões de yuans. Funciona assim: o banco central chinês tem uma conta em renminbi no banco central argentino, e este tem uma conta em pesos na China; os bancos têm a possibilidade de sacar esse dinheiro para eventuais necessidades, obviamente devolvendo-o com juros.

Acordos, afirmava um relatório recente do Congresso dos EUA, que serviriam em Pequim para pressionar Buenos Aires para que os muitos projetos sensíveis que o Dragão tem em jogo no país sul-americano não sejam suspensos: da rede elétrica à ferroviária até a estação radar na Patagônia útil para o programa lunar chinês.

Xi também reafirmou o apoio chinês ao pleno reconhecimento da soberania argentina sobre as Malvinas, as Falkland britânicas que em 1982 foram objeto de uma guerra entre Londres e Buenos Aires. Uma posição que foi de imediato condenada pela ministra britânica das Relações Exteriores, Liz Truss.

Entre os outros encontros dignos de nota do presidente Xi, nos últimos dias, certamente estão aqueles com o presidente egípcio Al Sisi, com quem falou sobre o desenvolvimento do Canal de Suez e a produção conjunta de vacinas contra a Covid.

Com o primeiro-ministro paquistanês Khan: os dois assinaram um acordo-quadro de cooperação industrial no âmbito do corredor econômico China-Paquistão, a rede de oleodutos, estradas e usinas de energia que liga Kashgar ao porto de Gwadar e na qual Pequim já investiu 65 bilhões dólares.

Com seu amigo sérvio Vucic, falou de "alinhamento estratégico" e "projetos de cooperação", como a ferrovia entre Sérvia e Hungria construída pelos chineses e um acordo de livre comércio que deveria ser finalizado ainda este ano. Com o líder turcomano falou sobre o fornecimento de gás natural.

Já com o polonês Duda (único líder da UE que chegou aqui na capital chinesa) o foco foi no transporte e na logística. Xi disse estar pronto para ajudar a Polônia a se tornar um centro chave na cadeia de suprimentos China-Europa. O presidente polonês convidou as empresas chinesas a investir na Polônia, ressaltando o papel do país como porta de entrada do Dragão para o Velho Continente.

Um turbilhão de acordos bilaterais, como há muito não acontecia, para ampliar os horizontes geoeconômicos de sua China. Na sombra dos cinco círculos.

 

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